Um amistoso de preparação para a Copa do Mundo entre RD Congo e Chile foi cancelado depois que as autoridades locais na Espanha intervieram devido a temores sobre o surto de Ebola na nação africana. A partida, marcada para 9 de junho no Estádio Municipal de La Línea de la Concepción, seria o último jogo preparatório para a equipe congolesa antes de viajar para a Copa do Mundo de 2026.
O prefeito Juan Franco confirmou na terça-feira que havia assinado um decreto oficial proibindo o jogo. “Acabei de assinar o decreto pelo qual a partida agendada para 9 de junho no estádio municipal entre as seleções da RD Congo e do Chile não é autorizada”, afirmou em uma gravação de áudio, explicando que a decisão foi tomada por precaução sanitária e de acordo com as recomendações do departamento de saúde do governo regional.
A RD Congo, que enfrenta uma nova epidemia de Ebola, já havia sido forçada a alterar seus planos pré-torneio. O campo de treinamento da equipe, originalmente planejado para Kinshasa, foi cancelado e transferido para a Bélgica para proteger jogadores e funcionários e cumprir protocolos internacionais de saúde. Apesar dessas medidas, o município espanhol considerou o risco muito grande para sediar a partida.
Essa interrupção representa um revés significativo para os Leopardos, que retornam ao palco da Copa do Mundo pela primeira vez em mais de meio século. Sua última participação foi em 1974, e a geração atual vinha ganhando impulso com um cronograma de preparação cuidadosamente estruturado. O amistoso contra o Chile tinha como objetivo simular os adversários de alta intensidade que enfrentarão no Grupo K, que inclui Colômbia, Portugal e Uzbequistão.
O cancelamento deixa a RD Congo com apenas um amistoso restante antes do início da Copa do Mundo em 11 de junho. A equipe enfrentará a Dinamarca em Liège, Bélgica, na quarta-feira, partida que agora terá ainda mais peso como a única oportunidade de ajustar táticas e testar combinações. Perder o confronto com o Chile significa que o técnico Sébastien Desabre terá que se contentar com prática limitada de jogo contra uma equipe sul-americana, potencialmente prejudicando sua preparação para a fase de grupos.
A decisão do prefeito de La Línea ressalta o delicado equilíbrio entre saúde pública e compromissos esportivos. Embora a RD Congo tenha sido liberada pelas autoridades de saúde globais para participar da Copa do Mundo, as autoridades locais mantêm o direito de impor restrições para proteger suas populações. A prudência do prefeito reflete o estigma e o medo persistentes em torno do Ebola, mesmo que o surto esteja concentrado em regiões específicas e protocolos rígidos estejam em vigor para viagens internacionais.
Para o Chile, o cancelamento também é um golpe em sua preparação para a Copa, embora não sejam diretamente afetados pelas preocupações sanitárias. La Roja havia programado a partida como um teste importante antes de sua própria campanha, e o cancelamento tardio forçará sua comissão técnica a buscar alternativas ou confiar mais em treinos internos.
A RD Congo foi colocada em um desafiador Grupo K ao lado de Colômbia, Portugal e Uzbequistão. A perda do amistoso contra o Chile intensifica a pressão sobre seu jogo de abertura e reduz a margem de erro em sua busca para avançar do grupo. Analistas observam que enfrentar uma equipe sul-americana teria oferecido um valioso parâmetro para as demandas físicas e táticas que os aguardam quando enfrentarem a Colômbia.
O surto de Ebola na RD Congo tem sido motivo de preocupação por meses, e embora os organizadores da Copa tenham dado sinal verde para a participação da equipe, a situação continua fluida. A transferência do campo de treinamento para a Bélgica foi uma medida pragmática, mas a proibição espanhola destaca as sensibilidades contínuas. A federação de futebol da RD Congo ainda não emitiu uma declaração formal sobre o amistoso cancelado, mas fontes indicam que a equipe continuará sua concentração na Bélgica e focará no jogo contra a Dinamarca.
À medida que a contagem regressiva para a Copa do Mundo acelera, tais interrupções podem ter um impacto psicológico desproporcional. Os jogadores devem agora bloquear o ruído das controvérsias relacionadas à saúde e se concentrar no futebol. Para uma equipe já considerada azarão, a perda de um ensaio competitivo adiciona uma camada extra de adversidade a superar.
O incidente levanta questões mais amplas sobre como as nações anfitriãs e as autoridades locais podem navegar pela interseção de grandes eventos esportivos e emergências de saúde pública. Serve como um lembrete de que, mesmo com autorizações de alto nível, decisões locais podem remodelar planos de preparação da noite para o dia. A RD Congo espera que a resiliência demonstrada ao se classificar para a Copa os ajude a superar este último obstáculo.
Baseado em reportagens do L'Equipe.