Em um caso que chocou o país, um policial militar chamado Michael Bruno Lopes Santos negou qualquer participação na violenta agressão a uma empregada doméstica grávida de 19 anos no estado do Maranhão. O oficial, que se apresentou às autoridades na quinta-feira, fez sua negativa durante depoimento à Corregedoria da Polícia Militar. Ele é suspeito de estar envolvido no ataque, que supostamente foi orquestrado pela empregadora da vítima, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos.
A empresária foi presa no mesmo dia no estado vizinho do Piauí. Autoridades da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão afirmaram que ela estava tentando fugir. Seu advogado de defesa, no entanto, rebateu que Carolina estava no Piauí com seu filho de 6 anos porque não tinha família no Maranhão para cuidar da criança, e não estava tentando evitar a polícia.
O depoimento angustiante da vítima detalha um ataque prolongado e brutal. Ela afirmou que em 17 de abril foi acusada pela empregadora de roubar um anel. O que se seguiu foram horas de abuso físico, incluindo puxões de cabelo, socos, tapas e ser derrubada no chão. A jovem, que está grávida de cinco meses, descreveu que tentou desesperadamente proteger sua barriga durante a agressão. O anel perdido foi eventualmente encontrado em um cesto de roupa suja, mas a violência não parou. Ela também relatou ter sido ameaçada de morte se contasse à polícia.
Adicionando uma camada perturbadora ao caso, gravações de áudio obtidas pela TV Mirante e anexadas à investigação mostram a própria empresária descrevendo a agressão. Em uma mensagem, Carolina supostamente afirma que a vítima "não devia ter saído viva". As gravações detalham o envolvimento de um homem armado e não identificado que veio à casa para ajudar a "pressionar" a trabalhadora. A empresária é ouvida dizendo: "Quase uma hora dessa menina na massacre, com tapas e socos e pisando nos dedos dela. Tudo que você pode imaginar de loucura, fui eu e ele fazendo".
As consequências do caso foram significativas. Quatro policiais militares que inicialmente atenderam à ocorrência foram afastados de suas funções. Essa ação ocorreu depois que gravações de áudio vieram à tona nas quais a empresária afirmava que não foi levada à delegacia porque conhecia um dos policiais que atenderam. De acordo com seu relato no áudio, o oficial supostamente disse que devido aos hematomas da vítima, ela deveria ter sido levada, mas não foi.
A vítima também forneceu detalhes sobre suas condições de trabalho. Ela relatou ter recebido R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho, durante as quais trabalhou quase 10 horas por dia, de segunda a sábado, com apenas 30 minutos de intervalo. Suas funções incluíam limpeza, cozinha, lavanderia, passar roupa e cuidar do filho da empregadora. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) classificou o crime como tortura qualificada, além de lesão corporal, ameaça e difamação.
A investigação está a cargo da 21ª Delegacia de Polícia de Araçagy. O caso continua se desenvolvendo enquanto as autoridades trabalham para identificar o segundo agressor e determinar totalmente os papéis de todos os envolvidos. Com base em reportagem do g1.