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Por que a convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026

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Neymar, 34 anos, consegue uma surpreendente convocação do Brasil para a Copa do Mundo de 2026, buscando redenção após três torneios marcados por lesões e

A relação de Neymar com a Copa do Mundo tem sido uma saga de promessas não cumpridas, tormento físico e cicatrizes psicológicas. Aos 34 anos, a superestrela brasileira recebeu uma tábua de salvação inesperada do técnico Carlo Ancelotti para o torneio de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá — uma chance final de conquistar o troféu que lhe escapou durante três dolorosas campanhas.

A jornada começou em 2010, quando o então técnico Dunga resistiu à crescente pressão para incluir o prodígio de 18 anos do Santos. Neymar assistiu de casa enquanto uma seleção brasileira liderada por Kaká e Robinho caía para os Países Baixos nas quartas de final. Foi uma oportunidade perdida que definiu o tom de uma carreira assombrada pelo azar na Copa do Mundo.

Quatro anos depois, em casa, Neymar era o rosto de uma nação desesperada para exorcizar os fantasmas de 1950. Ele brilhou intensamente na fase de grupos, marcando duas vezes contra a Croácia e duas contra Camarões. Mas nas quartas de final contra a Colômbia, o desastre aconteceu. Um joelho de Juan Camilo Zúñiga aos 88 minutos deixou Neymar com uma vértebra fraturada. "Quando machuquei minhas costas, o Marcelo tentou me levantar, mas não consegui. Tentei mover minhas pernas, mas não consegui. Não tive forças para me levantar", lembrou mais tarde. No vestiário, a equipe médica esticou sua perna dobrada, causando uma sensação de choque elétrico. "Não conseguia mover meus pés. E comecei a chorar desesperadamente". Os médicos revelaram que apenas dois centímetros o salvaram de uma confinação permanente em cadeira de rodas. Sem ele, o Brasil sofreu o infame colapso de 1 a 7 na semifinal contra a Alemanha — o Mineirazo — um trauma nacional agravado por sua ausência.

A Rússia 2018 ofereceu um novo começo, mas Neymar chegou sob o peso de uma transferência recorde mundial de €222 milhões para o PSG. Os adversários o atacaram impiedosamente: ele sofreu nove faltas só na estreia contra a Suíça. O Brasil avançou para as quartas de final, onde uma atuação desarticulada contra a Bélgica terminou em derrota por 1 a 2. O torneio de Neymar foi definido mais por rolamentos e supostas teatralidades do que por momentos decisivos, deixando-lhe um segundo gosto amargo.

Depois veio o Catar 2022, uma campanha que começou com esperança renovada ao lado de Vinícius Júnior e um talentoso elenco de apoio. Mas no primeiro jogo contra a Sérvia, o tornozelo de Neymar torceu em uma dividida, forçando-o a sair com uma entorse ligamentar. Ele perdeu o resto da fase de grupos, lamentando: "Nada na minha vida me foi dado, e isso acontece comigo de novo em uma Copa do Mundo". Ele voltou para as fases eliminatórias, marcando um gol brilhante na prorrogação contra a Croácia nas quartas de final. Porém, com minutos restantes, um contra-ataque croata empatou, e na disputa de pênaltis que se seguiu, o Brasil foi eliminado — Neymar nem sequer cobrou seu pênalti, pois estava escalado para a quinta tentativa. A imagem dele soluçando no campo, consolado pelos companheiros, tornou-se emblemática de sua maldição na Copa do Mundo.

Agora, Ancelotti surpreendeu o mundo do futebol ao incluir Neymar em seus planos para 2026. O italiano, conhecido pela gestão de pessoas, foi direto: "Não quero estrelas; Neymar tem o mesmo papel que todos os outros — contribuir. Ele pode ajudar a criar um bom ambiente". No entanto, também enfatizou a meritocracia: "Neymar jogará se merecer jogar". Para Neymar, isso representa uma última chance. Numa idade em que a maioria dos atacantes desaparece, ele deve provar sua condição física e foco após anos de contratempos por lesões.

As implicações se estendem além de um único jogador. Um Neymar bem-sucedido poderia redefinir uma seleção brasileira que não vence a Copa do Mundo desde 2002, aliviando a pressão sufocante sobre uma geração que inclui Vinícius, Rodrygo e outros. Para Ancelotti, é uma aposta estratégica — aproveitar o gênio de Neymar enquanto protege a equipe de seu estado físico imprevisível e do circo que frequentemente o rodeia. O torneio de 2026 oferece o palco definitivo para um desfecho, seja glorioso ou trágico.

Ao saber de sua convocação, a reação de Neymar disse muito: "Já estou lá, estou lá", disse ele, com lágrimas escorrendo. Essas palavras encapsulam uma jornada de sensação adolescente a veterano marcado, um jogador que suportou mais do que a maioria em busca do maior prêmio do futebol. Enquanto se prepara para o que quase certamente será sua última Copa do Mundo, a pergunta persiste: Será que a quarta vez quebrará o padrão, ou a maldição escreverá seu capítulo mais cruel?

Com base em reportagens do Marca.