O caminho da França para a Copa do Mundo encontrou um obstáculo inesperado na noite de quinta-feira, quando os Bleus caíram por 2 a 1 para a Costa do Marfim em um amistoso no Stade de la Beaujoire, em Nantes. O resultado encerrou uma sequência invicta de 10 jogos para a nação mais bem classificada do mundo e serviu como um duro lembrete de que mesmo os elencos mais profundos podem vacilar sem foco total. Com a estreia no torneio contra Senegal no horizonte, Didier Deschamps precisa analisar rapidamente o que deu errado.
A escalação francesa foi quase uma réplica do time titular esperado para a Copa, embora duas ausências importantes fossem evidentes. O zagueiro William Saliba foi cortado por lesão, negando a Deschamps a chance de testar sua dupla defensiva preferida. Enquanto isso, o ponta Ousmane Dembélé foi poupado, uma decisão que colocou outros sob os holofotes. Rayan Cherki, em particular, aproveitou a oportunidade, emergindo como a força mais criativa da França no primeiro tempo.
A França controlou o ritmo desde o início, mantendo a bola e empurrando metodicamente a Costa do Marfim para seu próprio campo. No entanto, o bloco defensivo marfinense se mostrou resiliente, absorvendo a pressão e limitando as chances claras. Quando parecia que o primeiro tempo terminaria sem gols, Cherki interveio. Aos 45 minutos, o atacante do Lyon recebeu a bola na entrada da área, ajeitou para o pé direito e finalizou com precisão no canto esquerdo. Foi um momento de brilhantismo individual que animou a torcida local antes do intervalo.
Deschamps optou por rodar o elenco no intervalo, introduzindo cinco jogadores novos. A substituição em massa, embora destinada a administrar os minutos, interrompeu a coesão da França. A Costa do Marfim tomou a iniciativa, tornando-se mais ousada a cada minuto. A unidade defensiva, que havia parecido confortável no primeiro período, de repente se mostrou desarticulada e vulnerável a transições rápidas.
O empate veio aos 53 minutos, e foi produto tanto da iniciativa marfinense quanto da negligência francesa. Nicolas Pépé, ex-ponta do Arsenal, fez um passe preciso atrás da linha defensiva francesa. Guéla Doué sincronizou sua corrida perfeitamente, deixando Lucas Digne para trás, e manteve a calma para vencer Mike Maignan. O gol foi um banho de água fria para os anfitriões e expôs uma preocupante falta de comunicação entre o lateral e os zagueiros.
A Costa do Marfim continuou ameaçando, e o gol da vitória saiu a seis minutos do fim. Uma jogada envolvente pela lateral terminou com um cruzamento preciso do irmão mais velho de Désiré Doué, que Amad Diallo cabeceou com força, sem dar chances a Maignan. O gol levou a considerável torcida marfinense ao êxtase e destacou o poder de finalização dos visitantes na noite.
A França se lançou ao ataque em busca de um salvamento tardio, mas seus esforços foram prejudicados pela execução ruim. Os passes erravam, os cruzamentos não encontravam alvos e a frustração aumentava. Kylian Mbappé e Antoine Griezmann, normalmente os catalisadores, não conseguiram criar um momento de mágica. A derrota foi consumada, marcando a primeira perda dos Bleus neste estádio e a primeira desde um jogo da Nations League contra a Espanha há quase um ano.
As implicações para a preparação da França para a Copa são significativas. A derrota alimentará debates sobre a solidez defensiva, especialmente com a condição física de Saliba incerta. A decisão de Deschamps de rodar muito no intervalo também será analisada, pois provavelmente custou o ritmo da equipe. O técnico agora tem apenas alguns dias para corrigir os problemas antes do próximo teste contra a Irlanda do Norte em Lille.
Olhando mais adiante, a contagem regressiva para o confronto com Senegal se intensifica. Essa partida, que abrirá a campanha da França na Copa, é o barômetro definitivo. Os senegaleses apresentam uma ameaça diferente — atléticos, organizados e transbordando confiança após atuações recentes. Se a França repetir as falhas defensivas vistas na quinta-feira, poderão ter uma noite desconfortável.
Com base em reportagem do L'Equipe.