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Por que as esperanças da Alemanha para 2026 dependem do

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A Alemanha de Julian Nagelsmann depende de um núcleo do Bayern e enfrenta lacunas de talento, com o capitão Kimmich na lateral direita e críticas de Hoeness

A Alemanha entra na Copa do Mundo de 2026 com um plano familiar—apoiar-se em uma espinha dorsal do Bayern de Munique—mas dúvidas sobre qualidade individual e tática ameaçam minar o time de Julian Nagelsmann. Apesar de uma goleada dominante por 6 a 0 sobre a Eslováquia que praticamente garantiu a classificação, cinco atuações medíocres na fase de grupos, incluindo uma derrota por 2 a 0 em Bratislava, expuseram uma fragilidade alarmante. Nagelsmann, um técnico outrora aclamado como prodígio após salvar o Hoffenheim e chegar à Champions League, agora enfrenta críticas crescentes, incluindo uma repreensão pública do presidente honorário do Bayern, Uli Hoeness: “Nosso técnico da seleção acha que vence a partida. Não, o time vence a partida.”

A flexibilidade tática de Nagelsmann tem sido frequentemente uma faca de dois gumes. Ele admite: “Temos que jogar com emoção,” no entanto, suas constantes mudanças geraram inconsistência. Para a Copa do Mundo, espera-se que ele escale um núcleo de jogadores do Bayern de Munique: Manuel Neuer, convencido a sair da aposentadoria internacional aos 40; os defensores Jonathan Tah e Aleksandar Pavlovic; os meio-campistas Joshua Kimmich e Leon Goretzka; e os atacantes Jamal Musiala e o super-substituto Lennart Karl. Serge Gnabry está fora por lesão. No entanto, Kimmich, o capitão, mudará de seu papel de meio-campista no clube para lateral direito—um risco que sublinha uma verdade dolorosa: a Alemanha já não possui a profundidade de classe mundial de gerações passadas.

A falta de elegância individual é marcante. Kimmich, apesar de toda sua dedicação, fica aquém de predecessores icônicos como Lothar Matthäus ou Philipp Lahm, particularmente na defesa um contra um. A tradicional tradição de goleiros da Alemanha também parece frágil apesar do retorno de Neuer; nenhum metrônomo no meio-campo surgiu para preencher o vazio deixado por Toni Kroos ou Mesut Özil. Essa lacuna de talento força Nagelsmann a montar um time que luta para dominar adversários de ponta.

O poder ofensivo oferece um raio de esperança. A posição de camisa 10 está repleta com Florian Wirtz, Musiala, Kai Havertz e o adolescente Karl. Havertz provavelmente atuará como centroavante recuado—um aceno à sua fineza técnica em vez de finalização clínica, qualidade que o abandonou na Eurocopa 2024. Com Niclas Füllkrug e Nick Woltemade ainda não testados internacionalmente, a Alemanha entra no torneio sem um artilheiro clássico, colocando ainda mais pressão sobre Wirtz para repetir sua forma do Liverpool no maior palco. Nagelsmann defende Wirtz: “Ele é extremamente trabalhador e não é um 10 clássico que só quer a bola, mas alguém que também trabalha muito.” No entanto, o jovem de 23 anos precisa render contra defesas de elite, não apenas contra times pequenos.

Lennart Karl, de apenas 18 anos, representa o futuro. Ele recusou um teste no Real Madrid aos 10 anos apenas para agora declarar o Bernabéu como seu destino dos sonhos—uma confiança que não o abalou desde sua estreia na Bundesliga em janeiro. Nagelsmann observou: “Ele é mais calmo do que eu esperava. Não tive absolutamente a sensação de que o hype subiu à cabeça dele.” Se a habilidade de drible de Karl puder perturbar os adversários no final dos jogos, ele pode ser o trunfo da Alemanha.

Defensivamente, Jonathan Tah é a âncora silenciosa. Sua parceria com Nico Schlotterbeck e Antonio Rüdiger pode não chamar a atenção, mas a fisicalidade e leitura de jogo de Tah são vitais. “Nunca foi agradável jogar contra mim,” disse Tah ao Zeit. “Agora sou ainda mais desagradável, porque sempre mantenho meu oponente à vista.” Aos 30 anos, ele finalmente fará sua estreia em uma Copa do Mundo, encarregado de reforçar uma linha defensiva que tem se mostrado vulnerável.

Fora de campo, a cultura de torcedores da Alemanha está em transição. Na Eurocopa 2024, Nagelsmann reclamou do ambiente morno, levando a DFB a lançar um grupo de trabalho—o AG Stimmung—para ensinar aos torcedores o que cantar. O principal puxador de cânticos, Bengt Kunkel, admitiu que os fãs precisam de orientação, mas não viajará para os EUA, citando os altos custos que limitarão o contingente viajante. Ainda assim, espere um apoio mais vocal do que no Catar, mesmo que o famoso “Olé, super Deutschland!” soe menos criativo do que os dribles de Musiala.

A tabela de grupos da Alemanha os coloca contra Curaçao em Houston em 14 de junho, Costa do Marfim em Toronto em 20 de junho e Equador em Nova York/Nova Jersey em 25 de junho—todos jogos noturnos no horário local. É um caminho administrável, mas navegá-lo exige a coesão que tem escapado a Nagelsmann. Suas palhaçadas à beira do campo e comentários curiosos, como repreender publicamente o herói do jogo Deniz Undav após um amistoso contra Gana, revelam um treinador ainda aprendendo a lidar com as expectativas do palco nacional. Uma década após seu milagre no Hoffenheim, a promessa de genialidade continua não cumprida. Para a Alemanha evitar outra eliminação precoce, Nagelsmann deve finalmente fundir seu plano centrado no Bayern com a paixão e precisão que um dia definiram uma superpotência do futebol.

Com base em reportagens do The Guardian.