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Por que Clarke elogia torcedores da Escócia: contraste com

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Clarke alerta que invasões de campo prejudicam a imagem do futebol escocês enquanto saúda o apoio exemplar da 'Tartan Army' em Hampden; revela elenco de 26

O técnico da Escócia, Steve Clarke, traçou um forte contraste entre o comportamento exemplar da 'Tartan Army' e a recente onda de invasões de campo que mancharam o final da temporada doméstica escocesa. Enquanto elogiava os torcedores da seleção nacional por sua moderação e esportividade no cenário internacional, Clarke não poupou críticas às cenas feias que ocorreram no Celtic Park, Fir Park e Ibrox nos últimos meses.

O incidente mais notável ocorreu no sábado passado, quando o Celtic conquistou o título da Premiership escocesa com uma vitória em casa por 3 a 1 sobre o Hearts. Quando o apito final se aproximava, milhares de torcedores 'Hoops' invadiram o campo em uma comemoração caótica que colocou em risco jogadores e funcionários. Não foi um caso isolado; no início da campanha, outra invasão ocorreu quando o Celtic marcou um pênalti vitorioso no campo do Motherwell, e em março, o clássico 'Old Firm' pela Copa da Escócia no Ibrox degenerou em cenas deselegantes após vitória nos pênaltis dos visitantes, com torcedores de ambos os lados invadindo o gramado. Essas repetidas infrações provocaram uma investigação em andamento e lançaram uma sombra sobre a reputação da liga.

Clarke não mediu palavras ao abordar os incidentes. Ele enfatizou que o campo é o local de trabalho dos jogadores e que a invasão de torcedores representa um risco direto à sua segurança. O técnico observou que tais ações não são apenas perigosas, mas também projetam uma imagem negativa do futebol escocês para o mundo. Deixou claro que não há justificativa para os torcedores deixarem as arquibancadas, independentemente da ocasião, e que a integridade do jogo depende do respeito a esses limites.

Em forte contraste, Clarke apontou para as cenas no Hampden Park em novembro passado, quando a Escócia garantiu sua primeira classificação para a Copa do Mundo desde 1998 com uma dramática vitória por 4 a 2 sobre a Dinamarca. Naquela noite emocionante, a 'Tartan Army' permaneceu em seus lugares, saboreando o momento histórico sem comprometer a segurança. Clarke lembrou como os torcedores comemoraram intensamente, mas com responsabilidade, cantando e dançando nas arquibancadas em vez de invadir o gramado. Isso, afirmou, é a verdadeira face dos torcedores escoceses — uma que lhes rendeu admiração em todo o mundo.

O treinador também destacou a conduta dos torcedores que viajaram durante a Eurocopa 2024 na Alemanha. Apesar da eliminação precoce da equipe, os torcedores escoceses foram amplamente elogiados por sua simpatia e espírito festivo, deixando uma impressão positiva duradoura nas cidades-sede. Clarke acredita que esse comportamento, construído sobre um senso de alegria coletiva e respeito, define o padrão de como o futebol deve ser apoiado e diferencia fortemente a experiência internacional dos problemas domésticos que borbulharam nesta primavera.

Além das preocupações disciplinares, Clarke voltou sua atenção para a seleção do elenco, nomeando os 26 jogadores que representarão a Escócia na Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos. O grupo combina experiência e juventude, liderado pelo capitão Andy Robertson e pelo vice-capitão John McGinn. Os defensores consolidados como Kieran Tierney, de volta ao Celtic após uma passagem pelo Arsenal, e Scott McKenna, do Dínamo Zagreb, fornecem solidez, enquanto a dupla do Napoli, Billy Gilmour e Scott McTominay, trazem inteligência tática e ameaça de gol do meio-campo. No ataque, Che Adams, do Torino, e Ross Stewart, do Southampton, oferecem diferentes opções ofensivas, com Lyndon Dykes e Lawrence Shankland proporcionando presença física e finalização.

Um nome notavelmente ausente é o de Oli McBurnie. O atacante do Hull City, que marcou 18 gols nesta temporada para ajudar sua equipe a chegar à final do play-off do Championship, foi preterido novamente. Clarke explicou que sua decisão decorreu de uma quebra de confiança depois que McBurnie tornou pública uma conversa telefônica privada entre os dois. O técnico afirmou que, uma vez quebrada essa confidencialidade, preferiu contar com jogadores com quem tem um relacionamento comprovado. Foi uma mensagem firme de que lealdade e profissionalismo são inegociáveis em seu esquema.

Clarke também abordou seu próprio futuro, confirmando que espera finalizar um novo contrato com a Federação Escocesa de Futebol antes da partida do elenco para a Copa do Mundo. Seu atual acordo expira neste verão, mas, tendo já guiado a Escócia a duas Eurocopas e agora a uma tão esperada Copa do Mundo, o técnico de 60 anos está ansioso para continuar o projeto. Ele minimizou a importância de sua situação pessoal no dia do anúncio do elenco, enfatizando que o foco deve estar nos jogadores.

A justaposição da conduta dos torcedores em nível doméstico versus internacional levanta questões importantes sobre o estado do futebol escocês. Enquanto a seleção nacional desfruta de um clima positivo que uniu o país, o futebol de clubes lida com um problema recorrente que ameaça sua credibilidade. As invasões de campo, muitas vezes alimentadas pela intensidade das rivalidades e pelo alto risco das disputas por títulos, correm o risco de alienar patrocinadores, emissoras e famílias que veem a segurança como primordial.

Para Clarke, a distinção é clara e a mensagem é inequívoca: a 'Tartan Army' estabeleceu um padrão global de apoio apaixonado, porém respeitoso, e os torcedores domésticos devem seguir esse exemplo. Enquanto a Escócia se prepara para deixar sua marca no maior palco do mundo, a esperança é que a energia positiva em torno da seleção nacional possa ajudar a inspirar uma mudança cultural em casa. No entanto, não abordar o problema pode fazer com que a imagem do futebol escocês seja manchada em um momento em que o jogo está sob mais escrutínio do que nunca.

Baseado em reportagens da Sky Sports.