Craig Bellamy encerrou de forma enfática as especulações que o ligavam a um retorno ao comando de clubes ao reiterar seu inabalável compromisso com a seleção de Gales. O técnico de 46 anos revelou que recusou abordagens de pelo menos dois clubes de alto perfil, incluindo o Burnley, da Championship, e o gigante escocês Celtic, para honrar seu contrato com a Associação de Futebol de Gales (FAW) até o auge da Euro 2028.
Bellamy, que assumiu o comando de Gales no verão de 2024 com um contrato de quatro anos, tem sido repetidamente ligado a vagas em seus antigos clubes. No Burnley, onde anteriormente foi assistente de Vincent Kompany antes da saída do belga para o Bayern de Munique, o atrativo de um papel de treinador era supostamente forte. Enquanto isso, o Celtic — outro dos antigos clubes de Bellamy — busca um sucessor permanente após um período interino, tornando-o um candidato natural. No entanto, Bellamy escolheu Gales, uma decisão que sublinha sua profunda conexão com a estrutura nacional e sua visão de longo prazo.
«Tudo está no lugar, sou totalmente apoiado e isso me dará a oportunidade nos próximos dois anos de melhorar novamente», disse Bellamy à BBC Sport Wales antes do amistoso contra Gana. «Me ofereceram isso em outros lugares também, mas já tenho isso aqui. Gales me deu essa oportunidade e um ou dois talvez não tivessem dado porque eu estava ciente de que não havia treinado antes. Gales me deu essa oportunidade e sou muito grato por isso». Essas palavras refletem não apenas gratidão, mas também uma paciência estratégica: Bellamy sabe que liderar uma nação para um Campeonato Europeu em casa é uma perspectiva rara que define uma carreira.
O contexto imediato da decisão de Bellamy é um início misto em seu mandato. Seus primeiros nove jogos no comando foram invictos, uma sequência que incluiu a promoção na Liga das Nações e a instalação de um estilo expansivo e ofensivo que conquistou elogios. No entanto, o impulso estagnou dolorosamente em março, quando Gales perdeu a final do play-off da Copa do Mundo em casa para a Bósnia-Herzegovina, frustrando os sonhos de uma viagem ao torneio expandido de 2026. Esse revés poderia ter tentado um técnico menos resoluto a buscar um novo desafio, mas Bellamy dobrou a aposta em sua missão internacional.
Os dirigentes da FAW retribuem essa confiança. Fontes dentro da associação disseram à BBC Sport Wales que estão «muito confiantes» de que Bellamy cumprirá seu contrato, que vai até o final da Euro 2028. Além disso, qualquer clube que o quisesse tirar enfrentaria uma barreira financeira: uma cláusula de rescisão de pelo menos £700.000. Embora não seja proibitiva para clubes ricos, o valor adiciona uma camada de segurança que reflete a determinação de Gales em reter um técnico que consideram integral para o renascimento futebolístico da nação.
A ambição de longo prazo de Bellamy está claramente ligada à Euro 2028, um torneio que Gales co-organizará junto com Inglaterra, Escócia e República da Irlanda. Para um orgulhoso galês que obteve 78 internacionalizações como jogador e capitaneou seu país, a perspectiva de liderar a equipe diante de torcidas locais é um ímã magnético. «Não achei que seria justo eu sair. Isso não está certo», disse ele, acrescentando que tranquilizou os jogadores preocupados: «Escutem, não estamos indo a lugar nenhum. Vamos de novo, temos mais dois anos». Essa mensagem de estabilidade é vital para uma seleção em transição, combinando veteranos experientes com talentos emergentes.
Em campo, Gales enfrenta uma janela internacional de junho desafiadora com notícias mistas sobre o time. O retorno dos defensores Ben Davies e Connor Roberts de lesões de longo prazo reforça a linha defensiva, oferecendo experiência crucial. No entanto, a ausência do meia criativo do Fulham, Harry Wilson — um fulcro criativo — é um golpe. Agravando a situação, o zagueiro central do Swansea, Ben Cabango, se retirou da convocação. Em resposta, Bellamy deu primeiras convocações a três jogadores sem internacionalização: Cameron Congreve, Ollie Bostock e o lateral-esquerdo adolescente do Leeds, Jayden Lienou, sinalizando uma disposição para dar chances aos jovens.
Os próximos amistosos servem como mais do que mera preparação. Gales recebe Gana no Cardiff City Stadium na terça-feira (2 de junho, 19:45 BST) antes de viajar para Bucareste para enfrentar a Romênia no sábado. Esses jogos são críticos para construir coesão e corrigir um histórico historicamente ruim em junho. Bellamy não mediu palavras: «Quando olho para nosso histórico em junho, amistosos de junho ou jogos competitivos de junho, não é nem de longe bom o suficiente. Treze jogos, nove derrotas, duas vitórias… Você quer ser uma nação séria? Nosso histórico em junho não está nem perto, então temos que corrigir isso». A avaliação direta destaca sua exigência por melhora imediata.
No entanto, o jogo contra Gana não conseguiu capturar a imaginação do público, com apenas cerca de 10.000 ingressos vendidos até segunda-feira à tarde — um número modesto para o Cardiff City Stadium. Bellamy reconheceu a dificuldade: «É um período difícil, tenho que ser honesto. Não se esqueça de que era metade do período letivo na semana passada, este é um jogo de meio de semana. Se você esteve com seus filhos por uma semana, não sei se quero levá-los a um jogo na terça à noite…». Ele expressou confiança de que os jogos da Liga das Nações vão lotar, mas a baixa presença destaca o desafio de manter o engajamento dos fãs durante fases de recuperação.
Olhando além dos amistosos, o compromisso de Bellamy remodela a trajetória do futebol galês. Ao recusar tentações financeiras e competitivas imediatas, ele ancorou um projeto que atinge seu clímax em 2028. Sua decisão também envia um sinal aos jogadores e à nação de que a visão de longo prazo pode triunfar sobre o oportunismo de curto prazo. Com uma identidade tática clara agora enraizada e a promessa de um Campeonato Europeu em casa, Gales está se posicionando não apenas como co-anfitrião, mas como um competidor genuíno — um status que Bellamy, por mais ambicioso que seja, está determinado a conquistar.
Enquanto a contagem regressiva para a Euro 2028 avança, a firmeza de Bellamy oferece um bem raro no futebol moderno: lealdade. Se essa lealdade pode se traduzir em sucesso tangível dependerá de sua capacidade de corrigir falhas históricas e galvanizar um elenco através do crisol das eliminatórias da Copa do Mundo e da Eurocopa. Por enquanto, a FAW e os torcedores galeses podem respirar aliviados, sabendo que seu técnico está totalmente investido na jornada à frente.
Baseado em reportagem da BBC Sport.