A seleção francesa definiu oficialmente os números de camisa que seus jogadores usarão na Copa do Mundo FIFA de 2026, que acontecerá de 11 de junho a 19 de julho na América do Norte. A Federação Francesa de Futebol fez o anúncio por meio de uma postagem no X na sexta-feira, encerrando especulações sobre qual dos 26 jogadores selecionados reivindicaria os famosos dígitos. A revelação trouxe poucas surpresas no topo, com o capitão Kylian Mbappé vestindo mais uma vez a icônica 10, mas houve mudanças notáveis entre o ataque, à medida que uma nova geração começa a deixar sua marca.
A manutenção da camisa 10 por Mbappé é uma declaração de continuidade e liderança. A superestrela do Real Madrid usou o número nas Copas de 2018 e 2022, e agora entrará em seu terceiro torneio global com a mesma insígnia de honra. Desde sua estreia em Copas como adolescente na Rússia, Mbappé se tornou o talismã indiscutível dos Bleus, acumulando 12 gols em Copas e uma medalha de campeão. Manter a 10 — historicamente associada a lendas francesas como Zinédine Zidane — ressalta seu status como ponto focal das ambições da equipe e figura central na busca por recuperar o troféu.
Em uma mudança significativa, Ousmane Dembélé trocou a 11 pela 7, número anteriormente usado por Antoine Griezmann nos grandes torneios recentes da França, incluindo a campanha triunfante de 2018 e a final de 2022. Griezmann, que ganhou a Bola de Ouro de 2025, foi por muito tempo o dono da 7, tornando-a sinônimo de sua energia criativa e capacidade de trabalho. A mudança de Dembélé para a camisa reflete um papel em evolução dentro do elenco — passando de uma faísca vinda do banco a uma ameaça ofensiva principal. Sua velocidade, drible e melhora na finalização o tornaram indispensável, e a 7 pode se tornar tão emblemática de seu estilo quanto foi de seu antecessor.
A reorganização também abriu a camisa 11, que foi entregue a Michael Olise. O ponta do Bayern de Munique usou o mesmo número em convocações anteriores e no clube, sinalizando uma integração suave na seleção. A ascensão de Olise foi meteórica; depois de escolher representar a França em vez da Inglaterra, ele rapidamente se estabeleceu como uma força criativa capaz de desbloquear defesas. Pegar a 11 de Dembélé sugere que Didier Deschamps o vê como o sucessor natural na ponta direita, e a troca de número pode prenunciar um papel mais proeminente na campanha de 2026.
Enquanto isso, a camisa 9 de centroavante tem um novo dono. Marcus Thuram herda o número usado por tanto tempo por Olivier Giroud — maior artilheiro de todos os tempos da França — que ancorou o ataque durante a vitória de 2018 e a final de 2022. A aposentadoria internacional de Giroud abriu a porta, e Thuram, filho do campeão mundial de 1998 Lilian Thuram, assume um dos papéis mais escrutinados do futebol. O atacante da Inter de Milão mostrou sua qualidade na Serie A e pelos Bleus, mas o peso da 9 carrega as expectativas de ser o principal goleador. Sua presença física e jogo de ligação serão cruciais se a França quiser navegar por um torneio desafiador.
As atribuições de números também carregam simbolismo mais amplo sobre o estado da seleção francesa. A passagem das camisas 7 e 9 de Griezmann e Giroud para Dembélé e Thuram marca uma transição deliberada. Enquanto Griezmann continua sendo uma opção versátil (seu número atual não foi especificado no anúncio), a redistribuição de números icônicos sugere que Deschamps está construindo em torno de um núcleo de jogadores no auge — Mbappé aos 26, Dembélé aos 28, Thuram aos 27 — complementado por talentos emergentes como Olise, que tem apenas 23. É uma mistura projetada para sustentar o sucesso enquanto renova a identidade da equipe.
Historicamente, os números de camisa no futebol francês têm estado profundamente entrelaçados com a narrativa de triunfos e desilusões. A 10 de Zidane, a 10 de Platini antes dele, e agora a década de domínio de Mbappé no número tecem um fio de excelência. Da mesma forma, a 7 evoca as atuações incansáveis de Griezmann, e a 9 traz memórias do subestimado jogo de pivô de Giroud. Para a seleção atual, esses números não são apenas escolhas administrativas; eles representam a passagem do bastão e a expectativa de escrever o próximo capítulo.
Baseado em reportagens do L'Equipe.