Xxgwise
PremiumEntrar
Notícias

Por que o empréstimo de Gabriel ao Troyes fracassou: o

Coupe de la LigueStrasbourg vs ToulouseTroyesEstrasburgoToulouseDinamo ZagrebArsenalFrançaAngersAmiensLilleParis Saint-GermainBrasil

Gabriel disputou quatro jogos pelo Troyes em 2017-18, quando lesões e a hesitação de Garcia estagnaram sua ascensão; agora, como peça-chave do Arsenal, ele

Jean-Louis Garcia, o ex-técnico do Troyes de 63 anos, quebrou o silêncio sobre o que descreve como "o maior arrependimento de toda a minha carreira" – o empréstimo fracassado de Gabriel Magalhães em 2017-18. Com o brasileiro agora brilhando no Arsenal e se preparando para enfrentar o Paris Saint-Germain na final da Liga dos Campeões no sábado, Garcia e o ex-diretor esportivo Luis de Sousa revisitaram a sequência de eventos que fez com que um defensor extremamente talentoso escapasse por entre seus dedos após apenas quatro partidas.

Recém-promovido à Ligue 1, o Troyes estava montando um elenco para sobreviver. Garcia já tinha um núcleo de zagueiros de confiança em Jimmy Giraudon e Christophe Hérelle, além do veterano Oswaldo Vizcarrondo, mas queria uma alternativa canhota. O Lille, que havia contratado Gabriel seis meses antes do Brasil, estava aberto a um empréstimo. Observado por meio de vídeos da seleção sub-20, os atributos de Gabriel convenceram imediatamente Garcia. "Ele era grande, poderoso, tinha grandes passes diagonais e já era um monstro no jogo aéreo", lembrou Garcia. O acordo foi fechado, e Gabriel chegou com seus pais, que se integraram rapidamente ao dia a dia do clube, com seu pai assistindo a todas as sessões de treino sem ser invasivo.

O otimismo inicial colidiu com um obstáculo físico. Gabriel carregava uma lesão persistente no adutor que o impedia de treinar em plena intensidade. A equipe médica implementou um protocolo gradual, confiante de que ele estaria totalmente apto bem antes da pausa de inverno. Em vez disso, o problema se arrastou por meses. Sua única ação no time principal antes de janeiro foi uma breve aparição em um jogo da Copa da Liga contra o Amiens. O atraso testou a paciência de todos, mas Garcia permaneceu convencido de sua qualidade. A prioridade do clube era evitar arriscar uma lesão de longo prazo durante uma extenuante campanha na primeira divisão.

Quando o novo ano chegou, Gabriel finalmente parecia pronto. Foi suplente não utilizado em uma derrota por 3 a 1 para o Angers, depois tornou-se inelegível para enfrentar seu clube de origem, o Lille, devido ao acordo de empréstimo. Sua estreia completa na Ligue 1 ocorreu de forma dramática: no terceiro minuto contra o Toulouse, Giraudon foi expulso, forçando Garcia a sacrificar um meio-campista e lançar Gabriel ao calor da partida. O início foi um pesadelo – Yaya Sanogo venceu um duelo aéreo para marcar o único gol aos 11 minutos, e o Troyes perdeu por 1 a 0. Um jogo de copa contra o Saint-Étienne mostrou melhora, mas o ímpeto passageiro de Gabriel foi interrompido quando a próxima partida da liga contra o Dijon foi adiada, quebrando a confiança do treinador em uma linha defensiva consolidada.

A ruptura decisiva veio no início de fevereiro. Com o elenco totalmente saudável, Garcia omitiu Gabriel dos planos para a viagem a Estrasburgo em 11 de fevereiro. Sentindo que seu caminho estava bloqueado e com o fechamento da janela de transferências, os representantes de Gabriel pressionaram por garantias de minutos regulares. Garcia se recusou a dar promessas que não pudesse cumprir. "Assinar um cheque em branco, com respeito aos meus outros jogadores, não sei como fazer isso", afirmou. O empréstimo foi rescindido, e o Lille o redirecionou apressadamente ao Dínamo Zagreb, onde outra difícil metade de temporada rendeu uma única aparição.

Em retrospectiva, tanto Garcia quanto De Sousa veem oportunidades perdidas. De Sousa acredita que a impaciência de Gabriel e uma lacuna de comunicação contribuíram: "Talvez se tivéssemos conversado mais, ele teria entendido que estava nos planos do treinador. Estou convencido de que ele poderia ter nos ajudado a permanecer na elite". Garcia admite que sua tomada de decisão foi obscurecida pela lealdade ao núcleo que conquistou o acesso. "Fui muito sensível aos jogadores que escalaram a montanha conosco", confessou. "Se pudesse voltar atrás, faria as coisas de forma diferente". O arrependimento é palpável, acentuado pelo conhecimento de que o potencial de Gabriel já era óbvio na época.

A campanha do Troyes mergulhou no rebaixamento, terminando em 19º com uma defesa porosa que sofreu 59 gols e manteve apenas seis jogos sem sofrer gols. Embora um único jogador não tivesse revertido seu destino, a ausência de um defensor dinâmico e com boa saída de bola durante a reta final foi evidente. A torcida do Estac só pode imaginar como o domínio aéreo de Gabriel em ambas as áreas poderia ter alterado partidas decisivas. O episódio do empréstimo é um estudo de caso sobre quão delicada pode ser a relação entre oportunidade, condição física e flexibilidade gerencial para o desenvolvimento de um jovem jogador.

O caminho de Gabriel para fora do deserto agora faz parte do folclore moderno do scouting. Ele reconstruiu sua carreira no Lille, primeiro por empréstimo e depois em definitivo, tornando-se peça central de um time campeão em 2020-21 que manteve 21 jogos sem sofrer gols. Uma transferência de £27 milhões para o Arsenal se seguiu, e sob o comando de Mikel Arteta, ele se transformou em um dos zagueiros mais completos da Premier League. Nesta temporada, seus 4 gols e atuações dominantes foram fundamentais na campanha do Arsenal para sua primeira final da Liga dos Campeões desde 2006, onde enfrentarão o PSG no Stade de France.

O grande jogo de sábado (início às 18h CET) oferece um rico fio narrativo. Gabriel, o jovem de 19 anos que não conseguiu se firmar em um Troyes destinado ao rebaixamento, agora comanda a defesa do Arsenal encarregada de parar Kylian Mbappé e companhia. Para Garcia, que se aposentou como treinador em 2023, assistir de longe será uma mistura de orgulho e frustração. Sua admissão sem filtros do erro ressalta uma verdade universal no gerenciamento do futebol: o talento precisa de mais do que identificação; requer timing, confiança e, às vezes, uma dura lição em deixar de lado o sentimentalismo.

Com base em reportagens da L'Equipe.