O Hearts está à beira da história, a apenas duas partidas de um extraordinário título da Premiership escocesa que encerraria sua espera de 66 anos por uma coroa de liga. O time de Derek McInnes tem uma vantagem de um ponto sobre um Celtic que conquistou o campeonato em 12 das últimas 14 temporadas, e os próximos dias definirão se o clube de Edimburgo pode superar o domínio mais enraizado do futebol escocês.
Na quarta-feira, o improvável pode acontecer: uma vitória do Hearts contra o Falkirk no Tynecastle, combinada com um tropeço do Celtic no Motherwell, veria o troféu retornar a Gorgie pela primeira vez desde 1960. Esse cenário é improvável dada a forma implacável recente do Celtic, mas McInnes – que já guiou o Hearts a uma recorde de pontos do clube e à classificação para a Champions League – acredita que seu elenco tem a mentalidade para ir até o fim. "É bom poder ouvir 'Hearts pode ganhar a liga no Tynecastle'", disse ele. "Não sei quantas pessoas puderam dizer isso em suas vidas".
O pano de fundo histórico torna essa narrativa ainda mais convincente. Os únicos dois títulos do século XX do Hearts foram conquistados no antigo campo Love Street do St Mirren, e eles nunca levantaram o troféu diante de seus próprios torcedores no Tynecastle. Encerrar essa seca agora não apenas quebraria a hegemonia do Celtic, mas também um padrão de domínio do Old Firm que persiste desde 1985, quando o Aberdeen de Alex Ferguson venceu a liga pela última vez para um clube não de Glasgow.
McInnes, que já viu seu time superar o Rangers na corrida, projeta uma determinação calma. "As pessoas falam sobre mentalidade e como os jogadores lidam com a pressão, os fatos mostram que eles estão lidando de forma brilhante", observou. "Acredito e acreditei por um tempo que temos um time capaz de vencer a liga. Tenho uma crença inabalável de que podemos fazer isso". Sua suposição de que o Celtic vencerá o Motherwell significa que o foco está nos dois últimos jogos, com uma visita ao Celtic Park no sábado ao meio-dia.
No banco adversário, o técnico interino do Celtic, Martin O’Neill, de 74 anos, está liderando um impulso de final de temporada que viu os campeões vencerem cinco partidas consecutivas sem fechar a diferença. "Estivemos lutando toda semana", disse O’Neill. "Vencemos cinco jogos seguidos e ainda não alcançamos, então isso pode dizer tudo sobre nossa posição alguns meses atrás. O Hearts é um time realmente bom que perseverou durante toda a temporada".
O’Neill, de volta para um segundo período interino em uma campanha tumultuada, evitou a guerra psicológica quando perguntado se os caçadores têm vantagem sobre os caçados. Em vez disso, elogiou a resiliência do Hearts e destacou a tarefa: "Mais fácil falar do que fazer, mas se vencermos os dois jogos, vencemos. Você teria tido probabilidades muito longas para isso algumas semanas atrás". Seu próprio passado contém um paralelo doloroso: em 2005, uma derrota tardia do Motherwell no último dia custou o título ao Celtic sob seu comando. "A ansiedade agora não seria muito diferente", admitiu.
Para o Hearts, o obstáculo imediato é o Falkirk, e McInnes o enquadra como uma final em vez de uma semifinal. "Isso não é uma semifinal antes de uma final; isso é uma final para nós", disse ele. A forma do time – 10 pontos em 12 apesar de lesões e um duplo confronto contra um forte Motherwell – refuta qualquer sugestão de pressão. O calendário implacável e o peso da história não os abalaram; em vez disso, eles quebraram um recorde de pontos do clube e garantiram uma vaga na Champions League pela primeira vez.
Se o Hearts prevalecer na quarta-feira e o Celtic perder pontos, as celebrações serão sísmicas. Mesmo que a corrida se estenda até o último dia, o golpe psicológico de perder um controle de 13 anos sobre o troféu ressoaria em todo o futebol escocês. Um título do Hearts redistribuiria as riquezas da Champions League e sinalizaria que o domínio do duopólio está genuinamente ameaçado, potencialmente inspirando outros aspirantes.
O’Neill, por sua vez, se alimenta da imponente virada do Celtic sobre o Rangers no fim de semana passado, uma vitória por 3 a 1 que os manteve a uma distância de ataque. "Isso nos dá um grande impulso de confiança", disse ele. "Ganhar o jogo da maneira que fizemos foi ótimo, mas isso já passou, acabou". O técnico veterano sabe que glórias passadas não contam no crisol de uma disputa pelo título.
O iminente confronto no Celtic Park já está sendo visto como um possível decisivo. Se o Hearts vencer o Falkirk e o Celtic vencer o Motherwell, o cenário estará pronto para um confronto direto com o campeonato em jogo. Raramente uma temporada da Premiership escocesa construiu tal crescendo, com dois clubes de extremos opostos do espectro financeiro travados em uma luta que capturou a imaginação do neutro.
A calma segurança de McInnes contrasta com a crescente desesperança do Celtic para manter seu domínio. Ele já conseguiu se livrar do Rangers e agora enfrenta o teste final. "Temos uma oportunidade fantástica", disse ele. "Temos cinco ou seis dias realmente importantes pela frente e é importante que tentemos aproveitá-los". Para os torcedores do Hearts, apenas imaginar um título de liga é um luxo que poucos conheceram; até o próximo fim de semana, pode se tornar realidade.
Baseado em reportagens do The Guardian.