O rebaixamento do West Ham United da Premier League em 2026 não foi um acidente; foi o resultado de anos de má gestão grave por parte do acionista majoritário David Sullivan. Apesar dos repetidos avisos, Sullivan ignorou a decadência estrutural do clube, permitindo que uma série de decisões catastróficas na contratação, nomeações de treinadores e planejamento estratégico apodrecessem. A queda dos Hammers para o Championship é uma condenação contundente de um proprietário que se recusou a ouvir os alarmes internos e, em vez disso, presidiu um declínio caótico que poderia ter sido evitado com previsão básica.
As sementes foram plantadas já em 2022, quando a forma do West Ham na liga começou a cair alarmantemente sob David Moyes. O clube havia desfrutado de três campanhas europeias consecutivas, culminando com um triunfo eufórico na Conference League em 2023, mas esse sucesso encobriu rachaduras profundas. Uma figura interna soou o alarme, mas sua voz foi abafada pela complacência no nível do conselho. Os sinais de alerta de um elenco envelhecido e resultados domésticos em declínio foram ignorados enquanto Sullivan e seu círculo se deleitavam com o brilho de um troféu europeu.
A decisão de se separar de Moyes no final da temporada 2023-24, embora compreensível para alguns, expôs toda a extensão da disfunção de Sullivan. Moyes havia sido um baluarte contra o caos do "sullivanismo", protegendo o time dos impulsos erráticos do proprietário. No entanto, em vez de um plano de sucessão medido, Sullivan confiou a reconstrução a Tim Steidten, um diretor técnico cujo mandato rapidamente se tornou um desastre. Os £105 milhões recebidos do Arsenal por Declan Rice foram desperdiçados em uma série de contratações decepcionantes e mal ajustadas. Os defensores Konstantinos Mavropanos, Jean-Clair Todibo e Maximilian Kilman custaram um total de £91,8 milhões, mas deixaram o West Ham com uma das defesas mais vazadas da liga. Enquanto isso, o meio-campista Edson Álvarez, de £35 milhões, foi emprestado ao Fenerbahce depois de não justificar seu preço, e o lesionado Niclas Füllkrug marcou apenas três gols na liga em 26 aparições antes de ser transferido para o Milan por empréstimo.
O carrossel de treinadores só aprofundou a crise. O breve reinado de Julen Lopetegui foi marcado por confrontos com jogadores experientes e maus alvos de contratação, levando à sua demissão após seis meses. Graham Potter chegou com grandes esperanças, mas, junto com o chefe de recrutamento Kyle Macaulay, interpretou mal as necessidades do elenco. Gastaram pesado em um goleiro com bom jogo de pés, Mads Hermansen, e um lateral esquerdo inexperiente, El Hadji Malick Diouf, enquanto negligenciavam o meio-campo e o ataque. A falta de reforços fez com que Potter dependesse de Callum Wilson e Füllkrug como atacantes principais – uma aposta que saiu pela culatra espetacularmente. Quando Potter foi finalmente substituído por Nuno Espírito Santo, o time já estava cambaleando à beira do abismo.
A nomeação de Nuno, perseguida publicamente depois que outras opções fracassaram, trouxe mais confusão do que clareza. A equipe o achava distante e difícil de agradar, enquanto os jogadores ficavam frustrados com suas experiências táticas desconcertantes. Em horrendas derrotas para Brentford e Leeds, Nuno implantou laterais invertidos que deixavam a defesa exposta, provocando zombarias internas e corroendo o moral. Antes de um jogo crucial contra o Nottingham Forest, ele supostamente excluiu todos os não titulares do vestiário, declarando que não confiava em mais ninguém no prédio. Tal gestão de pessoas alienou os jogadores e aprofundou a sensação de um clube em queda livre.
A falta de liderança do West Ham em campo agravou o mal-estar. Jarrod Bowen, um incansável batalhador, estava sobrecarregado pela capitania, enquanto vozes-chave da era Moyes não foram substituídas. O vestiário ficou quieto e desunido, sem ninguém capaz de reunir o time durante a sequência de 10 jogos sem vitória que os fez despencar. Até a venda de Lucas Paquetá ao Flamengo, embora tenha esclarecido o meio-campo, chegou tarde demais para restaurar a ordem.
O registro defensivo foi um show de horror. Apenas cinco jogos sem sofrer gols em toda a temporada na liga ilustravam uma falha sistêmica na organização defensiva, enquanto as repetidas concessões de gols de bola parada destacavam a falta de atenção no treinamento. As substituições negativas de Nuno ao proteger vantagens muitas vezes convidavam à pressão, transformando vitórias em empates e derrotas. O ataque, por sua vez, dependia de veteranos em declínio e recém-chegados erráticos. A contratação de janeiro de Adama Traoré por £7 milhões não conseguiu ser titular em um jogo de liga, e a aposta bizarra de Sullivan no ponta venezuelano Keiber Lamadrid só aumentou o ar de desespero. Até a contratação do atacante Taty Castellanos por £26 milhões não conseguiu estancar a queda.
As movimentações da janela de transferências de inverno não ofereceram alívio. A perseguição a Axel Disasi se arrastou até o dia do fechamento, enquanto as constantes mudanças de goleiro entre Hermansen e Alphonse Areola minaram a confiança. Um acordo pelo promissor Rayan foi recusado, e ele se juntou ao Bournemouth – uma oportunidade perdida que resumia a desastrosa estratégia de contratações do clube. Enquanto isso, a busca dispersa de Nuno por reforços defensivos o levou a considerar Radu Dragusin e Lutsharel Geertruida antes de optar por Disasi, um microcosmo do planejamento incoerente.
O resultado é um rebaixamento que parece um acerto de contas uma década em andamento. Quando o West Ham se mudou para o Estádio de Londres em 2016, Sullivan prometeu uma nova era de proeminência. Em vez disso, o clube regrediu, espelhando o destino do Leicester City, cujo declínio também veio de más decisões de propriedade. A menos que Sullivan venda, o mesmo ciclo de soluções de curto prazo e interferência persistirá, condenando o West Ham a uma decadência maior. O futuro é sombrio. O Championship testará a determinação de um elenco com moral baixa e despojado de ativos. O prometido "próximo nível" tornou-se uma piada cruel, e o único caminho para a redenção reside em uma nova propriedade e uma reinicialização cultural completa. Por enquanto, a culpa por este rebaixamento caótico recai diretamente sobre os ombros de David Sullivan.
Com base em reportagens do The Guardian.