O mundo do futebol parou em 3 de agosto de 2005. Por volta das 16h, o site pessoal de Zinedine Zidane exibia uma mensagem que parecia impensável: o maestro francês estava encerrando sua aposentadoria internacional. "Decidi voltar para Les Bleus", dizia o comunicado. "Pensei muito e quero ajudar a seleção francesa." Foi uma reviravolta impressionante para um jogador que havia jurado repetidamente que nunca mais vestiria a camisa azul depois de se afastar após a decepcionante campanha da França na Eurocopa 2004.
A despedida inicial de Zidane veio após uma dolorosa derrota por 1 a 0 nas quartas de final para a eventual campeã Grécia. Aos 32 anos, a estrela do Real Madrid sentia que seu capítulo internacional estava encerrado. Ele havia conquistado tudo, incluindo os títulos da Copa do Mundo de 1998 e da Eurocopa 2000, e a eliminação na fase de grupos da Copa de 2002 já havia testado sua determinação. No entanto, apenas 13 meses depois de sair, ele estava de volta, preparando o palco para um dos atos finais mais dramáticos da história do futebol.
O que motivou essa mudança de coração tão repentina? Em entrevistas posteriores, Zidane insinuou uma experiência quase mística. "O que está acontecendo comigo é bastante místico", ele dizia, referindo-se a uma misteriosa voz interior que o instava a retornar. Esse chamado quase espiritual tornou-se um elemento narrativo definidor de seu retorno, que a série documental do L'Équipe "9 juillet 2006" analisa com uma perspectiva renovada.
O momento era crucial. A França estava enfrentando dificuldades em sua campanha de classificação para a Copa do Mundo de 2006 sob o comando do técnico Raymond Domenech. Presa em um grupo com Suíça, Irlanda e Israel, Les Bleus carecia de criatividade e liderança. O retorno de Zidane, junto com os dos veteranos Lilian Thuram e Claude Makélélé, que também reverteram suas aposentadorias, injetou crença imediata. A medida transformou a dinâmica da equipe tanto dentro quanto fora de campo.
O primeiro jogo de Zidane de volta foi um amistoso contra a Costa do Marfim em 17 de agosto de 2005, onde ele marcou o primeiro gol. O verdadeiro teste veio nas eliminatórias. Em 3 de setembro, ele ajudou a equipe a garantir uma vitória vital por 3 a 0 sobre as Ilhas Faroe, dando duas assistências. A França eventualmente conseguiu a classificação direta, liderando o grupo na última rodada com uma vitória convincente por 4 a 0 sobre o Chipre, com Zidane marcando uma vez.
A Copa do Mundo de 2006 na Alemanha tornou-se um arco de redenção para a envelhecida geração de ouro. Descartados por muitos antes do torneio, a França navegou cautelosamente pela fase de grupos e depois atingiu seu melhor momento nas fases eliminatórias. Zidane fez o tempo voltar com uma atuação magistral contra o Brasil nas quartas de final, preparando o gol da vitória de Thierry Henry. Uma vitória na semifinal sobre Portugal com um pênalti de Zidane levou Les Bleus à final contra a Itália.
Claro, a final é lembrada por muito mais do que apenas futebol. Zidane abriu o placar com uma ousada cavadinha de pênalti, mas a partida está para sempre gravada na memória coletiva por sua cabeçada em Marco Materazzi aos 110 minutos e o subsequente cartão vermelho. Foi um fim impressionante para uma carreira ilustre, e o documentário promete explorar o impacto cultural desse momento e toda a jornada que levou até lá.
O "9 juillet 2006" do L'Équipe revisita todo o arco, começando naquele fatídico dia de agosto de 2005. Através de 30 episódios em vídeo, a série explora como o retorno de Zidane remodelou a seleção francesa e cativou uma nação. Ele situa a decisão no contexto mais amplo de sua carreira e da ressonância social da final da Copa do Mundo de 2006.
Para os fãs que viveram essa época, o retorno de Zidane continua sendo um testemunho do poder imprevisível do esporte. Uma voz misteriosa, um anúncio em um site e uma última dança que quase terminou em glória suprema — é uma história que continua a fascinar quase duas décadas depois. Baseado em reportagens do L'Equipe.