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Salles se recusa a abrir mão na corrida ao Senado por São

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Ricardo Salles (Novo) insiste em sua candidatura ao Senado por São Paulo, rejeitando pedidos para ceder a André do Prado (PL), a quem rotula como figura do

Em uma iniciativa ousada que destaca profundas divisões dentro do bloco político de direita do Brasil, o deputado federal Ricardo Salles do partido Novo declarou firmemente que não abandonará sua candidatura ao Senado Federal representando São Paulo. Sua declaração vem em resposta direta à pressão de aliados da família Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas, que endossaram André do Prado do PL como o segundo candidato de direita para uma das duas vagas do Senado do estado.

Salles lançou uma crítica contundente a Prado, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), rotulando-o como um produto do 'Centrão' — o bloco centrista e pragmático frequentemente criticado por sua flexibilidade ideológica. Salles argumentou que Prado carece de um verdadeiro pedigree de direita, destacando que Prado garantiu a presidência da Assembleia com o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo Salles, isso torna a candidatura de Prado um risco estratégico, potencialmente dividindo o voto de direita e entregando cadeiras no Senado a candidatos de esquerda como Simone Tebet, Marina Silva ou Márcio França.

O deputado do Novo traçou uma linha clara, afirmando que só consideraria se afastar se o candidato alternativo fosse Ricardo Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo pelo PL. "Retire a candidatura de André do Prado e coloque Mello Araújo. Se colocá-lo, eu me afasto. Então serão apenas Derrite e ele. Vamos ver se vocês realmente querem apoiar a direita ou se é apenas um movimento de Valdemar [Costa Neto, presidente nacional do PL]", declarou Salles, enquadrando a disputa como um teste de compromisso ideológico versus manobras políticas.

Salles não mediu palavras sobre sua visão do Centrão, afirmando que ele é "pior que a esquerda" por sua suposta corrupção e política transacional. Ele se posicionou como uma alternativa de princípios, citando suas duas décadas de militância na direita. "Não sou incontrolável, nem pulo a frente, Eduardo [Bolsonaro]. É que não me vendo ao Centrão, não negocio com corruptos e transacionais. Não quero falar com essas pessoas", afirmou, dirigindo-se diretamente às preocupações do campo bolsonarista sobre a divisão de votos.

O cenário político para a corrida ao Senado de São Paulo está se tornando cada vez mais complexo. Na direita, a chapa preferida parece ser Guilherme Derrite (PP) junto com Salles ou Prado. Na esquerda, a coalizão oposicionista já nomeou a ex-ministra Simone Tebet (PSB) como sua primeira candidata, e uma segunda vaga está sendo disputada entre outras figuras proeminentes como Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB), que sinalizou disposição para ser suplente.

Dados recentes de uma pesquisa da Quaest sublinham a natureza competitiva da corrida, mostrando Tebet, França, Marina Silva e Derrite liderando as intenções de voto. Esses dados provavelmente alimentam o argumento de Salles de que uma frente unificada e ideologicamente coerente é essencial para garantir ambas as vagas disponíveis e evitar um ressurgimento da esquerda na delegação do Senado do estado.

À medida que o ciclo eleitoral de 2026 se aproxima, esse conflito interno na direita brasileira serve como um microcosmo da luta mais ampla entre pureza ideológica e pragmatismo de coalizão. A recusa de Salles em recuar prepara o terreno para uma disputa primária polêmica que pode definir a estratégia e a unidade da direita nas cruciais eleições de São Paulo.

Com base em reportagens do g1.