Em um desdobramento jurídico significativo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Ademar Farias Cardoso Neto. Ele é irmão de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, cuja morte em Manaus em 2024 desencadeou uma grande investigação nacional.
A defesa argumentou que a prisão preventiva de Ademar, em vigor desde 2024, constituía um excesso ilegal de prazo. Eles solicitaram sua soltura ou a substituição da medida por cautelares alternativas. Ademar responde por tráfico de drogas e associação criminosa em um caso que apura o uso e distribuição de cetamina, substância também conhecida como ketamina com aplicações veterinárias.
A investigação sobre esses crimes relacionados a drogas foi iniciada após a morte de Djidja Cardoso. O caso dela atraiu atenção nacional devido à sua complexa mistura de elementos envolvendo drogas, religião e crimes graves. A decisão do STJ ocorreu menos de dois meses depois que um tribunal estadual do Amazonas também rejeitou pedidos de liberdade semelhantes para Ademar e sua mãe, Cleusimar de Jesus Cardoso.
Em sua decisão, o ministro Sebastião Reis Júnior afirmou que uma análise preliminar não revelou motivos suficientes para a soltura imediata do suspeito. Ele observou que o tribunal estadual do Amazonas identificou razões concretas para manter a prisão preventiva, incluindo a gravidade da conduta alegada, a natureza estruturada do grupo criminoso e a necessidade de garantir a ordem pública.
O ministro também rejeitou o argumento de demora excessiva no processo. Ele apontou a complexidade do caso, o número de réus envolvidos e o andamento geral da ação penal como justificativa para o prazo. Com o pedido negado, o STJ solicitou informações atualizadas do juízo de primeira instância e do tribunal estadual sobre o status do caso.
Djidja Cardoso era uma figura querida na cultura popular brasileira. Como sinhazinha do Boi Garantido de 2016 a 2020, encantou o público no Festival de Parintins, interpretando a filha do fazendeiro na apresentação tradicional. Ela foi encontrada morta em sua casa em Manaus em 28 de maio de 2024, aos 32 anos.
Antes de sua morte, Djidja havia compartilhado publicamente suas lutas contra a depressão. Em seu aniversário de 32 anos em fevereiro de 2024, postou um vídeo agradecendo a amigos e familiares e mencionando sua recuperação da doença. Os procedimentos legais contra seu irmão continuarão agora, aguardando nova análise do Ministério Público Federal antes de um julgamento final de mérito.
Com base em reportagem do g1.