O Nice enfrenta um desafio assustador no jogo de ida do playoff de rebaixamento da Ligue 1 contra o Saint-Étienne na terça-feira à noite, já que terá que lidar sem o atacante estrela suspenso Elye Wahi. O atacante marfinense, emprestado pelo Eintracht Frankfurt, tem sido o pilar do ataque desde sua chegada em janeiro, e sua ausência não poderia acontecer em pior momento para um time que luta para evitar o rebaixamento para a Ligue 2.
O impacto de Wahi é nitidamente ilustrado pelos números. Quando ele joga, o Nice tem média de 1,11 pontos por jogo, mas esse número cai para apenas 0,83 quando ele está ausente. Embora o time tente mais finalizações sem ele – 13,3 por jogo contra 11,9 – sua precisão despenca, acertando o alvo apenas 3 vezes por partida, em comparação com 4,3 com Wahi. Essa ineficiência tem sido um problema crônico para os homens de Claude Puel, que marcaram mais de uma vez em apenas 2 de seus últimos 14 jogos, uma estatística condenatória que ressalta sua dependência da finalização e do jogo de costas do jovem de 20 anos.
O precedente histórico sem Wahi é sombrio. Desde que ele se juntou ao time, o Nice venceu apenas uma vez em sua ausência: uma partida sem importância da Liga Conferência Europa contra o Go Ahead Eagles em janeiro, quando já estavam eliminados. O único outro resultado positivo sem o atacante foi uma vitória nos pênaltis em Lorient nas quartas de final da Copa da França após um empate por 0 a 0. Na liga, eles tiveram muitas dificuldades, perdendo notavelmente por 2 a 1 para o Auxerre depois que Wahi começou no banco devido a um problema na coxa, uma derrota que aprofundou seus temores de rebaixamento.
O empréstimo de Wahi termina após esta temporada, e ele já se despediu da torcida do Nice. Após a frustrante derrota por 3 a 1 na final da Copa da França para o Lens no Stade de France na sexta-feira, ele trocou palavras com os torcedores nas arquibancadas, sabendo que não jogaria mais diante deles. Sua última aparição com a camisa do Nice será na sexta-feira no jogo de volta em um Allianz Riviera vazio – uma partida onde sua presença poderia ser crucial, desde que o Nice ainda esteja na disputa.
Lesões também atrapalharam o ritmo de Wahi durante sua breve passagem. No início da primavera, ele perdeu quatro jogos devido a um problema no tornozelo, e depois uma lesão na coxa o afastou do empate por 1 a 1 com o Lens no início de maio. Essas ausências forçaram Puel a experimentar diferentes configurações ofensivas, muitas vezes com pouco sucesso, expondo a falta de profundidade no ataque.
Puel não escondeu a dificuldade da situação em sua coletiva de imprensa pré-jogo. "Estamos disputando este playoff na adversidade, não escondemos isso", admitiu, referindo-se tanto à suspensão quanto às complicações relacionadas às convocações internacionais. Com os regulamentos da FIFA não obrigando mais as federações a liberar jogadores após segunda-feira, o Nice tem navegado por um campo minado de problemas de disponibilidade.
O panorama internacional é misto. O técnico da Costa do Marfim, Émerse Faé, concordou em não convocar Wahi imediatamente, enquanto Senegal fez o mesmo com Antoine Mendy e Yéhvann Diouf. No entanto, a Tunísia se recusou a liberar Ali Abdi, o que significa que o lateral-esquerdo perderá o jogo de ida. O ganês Kojo Peprah Oppong e o argelino Hicham Boudaoui podem estar disponíveis apenas para o jogo fora de casa, complicando ainda mais a seleção de Puel. Esses fatores deixaram o Nice com um elenco reduzido para uma partida que pode definir sua temporada.
Sem Wahi, o peso do ataque recai sobre jogadores inconsistentes como Mohamed-Ali Cho e Sofiane Diop, que foram decisivos apenas quatro vezes cada desde janeiro. Reveladoramente, o lateral Jonathan Clauss ocupa o segundo lugar em participações em gols no mesmo período com oito assistências, destacando o quanto o ataque tem sido canalizado por não atacantes. Puel precisará de uma solução criativa – talvez um falso 9 ou um trio ofensivo reorganizado – para desbloquear uma defesa do Saint-Étienne que estará confiante em sufocar um ataque ineficaz do Nice.
O que está em jogo dificilmente poderia ser maior. O Nice, presença constante na Ligue 1, está encarando seu primeiro rebaixamento do século XXI. A ansiedade no clube é palpável, e o estádio vazio para o jogo de volta só aumenta a atmosfera surreal. Conseguir um resultado positivo no Stade Geoffroy-Guichard sem seu talismã seria um grande passo para a sobrevivência, mas requer uma reinvenção ofensiva coletiva que raramente foi vista nesta temporada.
Para Wahi, o playoff representa uma última chance de deixar um legado de herói antes de retornar a Frankfurt. Sabendo que estará assistindo das arquibancadas na terça-feira, seus companheiros devem encontrar uma maneira de compensar sua ausência – uma tarefa que os tem atrapalhado durante toda a campanha. Se falharem, o jogo de volta no Allianz Riviera pode se tornar a coroação sombria de uma temporada desastrosa, mesmo com seu craque de volta ao time.
Baseado em reportagens do L'Equipe.