Um caso perturbador de suposta exploração trabalhista e agressão violenta surgiu em Paço do Lumiar, Maranhão, envolvendo uma trabalhadora doméstica de 19 anos que está grávida de seis meses. A jovem prestou depoimento detalhando uma provação terrível nas mãos de sua ex-patroa, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos.
Segundo o depoimento da vítima à 21ª Delegacia de Polícia Civil de Araçagy, seu emprego começou no início de abril após contato por um aplicativo de mensagens. Foi-lhe oferecido um mês de trabalho, mas ela afirma que começou sem um acordo formal sobre o salário. Suas funções eram extensas, incluindo limpeza, cozinha, lavanderia, passar roupa e cuidar do filho de seis anos da patroa. Ela relata ter trabalhado das 9h às 19h, de segunda a sábado, com apenas 30 minutos de intervalo, acumulando quase dez horas de trabalho diário.
Por essa agenda exigente, a trabalhadora afirma ter recebido um total de R$ 750, pagos em parcelas através de transferências em nome de terceiros. A suposta agressão ocorreu em 17 de abril, após uma acusação de que a trabalhadora havia roubado um anel de joia. A vítima nega a acusação, e o anel foi encontrado posteriormente em um cesto de roupa na residência.
O depoimento da trabalhadora descreve uma agressão brutal. Ela alega ter sido submetida a puxões de cabelo, socos e tapas, e foi jogada no chão. A agressão supostamente continuou por um período prolongado. "Começou com puxões de cabelo. Fui jogada no chão e passei boa parte do tempo lá. Foram tapas, socos... não parava. Eles não se importaram", afirmou a jovem. Ela enfatizou que passou o tempo todo tentando proteger seu abdômen grávido, o que impediu chutes, mas deixou o resto do corpo coberto de hematomas.
A situação escalou ainda mais com a chegada de um homem não identificado, descrito como alto, forte e de pele escura, que supostamente veio à casa armado para ajudar na intimidação violenta. A vítima também relatou ter sido ameaçada de morte por Carolina Sthela caso denunciasse o incidente à polícia.
O caso atraiu atenção institucional significativa. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Maranhão solicitou formalmente a prisão preventiva de Carolina Sthela. O relatório da OAB classifica o crime como tortura agravada—devido à gravidez da vítima—junto com lesão corporal, ameaça e difamação. A organização também destacou o extenso histórico criminal da patroa, que inclui uma condenação anterior por furto qualificado com pena de mais de seis anos, uma condenação por difamação por fazer acusações falsas contra funcionários e múltiplos casos de violência doméstica e medidas protetivas.
Adicionando outra camada à investigação, quatro policiais militares que inicialmente atenderam à chamada de agressão foram afastados de suas funções. Essa ação ocorreu após a divulgação de mensagens de áudio, obtidas pela TV Mirante, nas quais Carolina Sthela supostamente descreve a agressão e afirma que não foi levada à delegacia porque um dos policiais que atendeu era seu conhecido. Em um áudio, ela supostamente diz que a vítima "não deveria ter saído viva".
Até os últimos relatos, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos não foi presa nem formalmente indiciada. A investigação está a cargo da 21ª Delegacia de Polícia Civil de Araçagy. A vítima continua se recuperando do trauma físico e emocional da suposta agressão. Baseado em reportagem do g1.