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Tragédia em Mato Grosso: Pai perde esposa e filho recém

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A Polícia investiga as mortes de uma mãe e seu bebê em Tangará da Serra, MT, após o pai alegar demoras críticas no atendimento em uma UPA local. O caso levou

Uma tragédia devastadora aconteceu em Mato Grosso, deixando um pai sem sua esposa e seu filho primogênito. A Polícia Civil agora investiga as circunstâncias das mortes de Andra da Conceição e seu bebê, Pedro Miguel, após sua admissão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Tangará da Serra. O bebê faleceu em 5 de abril, e sua mãe sucumbiu 12 dias depois, levando a uma investigação formal e a uma investigação do Ministério Público estadual (MPMT).

O caso foi trazido à tona pelo pai enlutado, Crenival Rodrigues Ferreira, que estava com sua parceira há cinco anos. Ele descreveu a angustiante espera por atendimento depois que sua esposa começou a sentir dores de parto nas primeiras horas de 5 de abril. De acordo com seu relato, após a triagem inicial, ocorreu um atraso significativo. Ele alega que o médico de plantão tirou fotos dos genitais de sua esposa e as enviou para um ginecologista que estava em intervalo, enquanto sua esposa esperava em uma cadeira de rodas em um corredor. A Secretária Municipal de Saúde, Angela Belizário, negou qualquer negligência, afirmando que a UPA estava operando com equipe reforçada devido a um surto regional de gripe.

Frustrado pela falta de atenção de um especialista, Crenival decidiu transferir sua esposa para um hospital particular. Lá, uma cesariana de emergência foi realizada, mas o bebê nasceu sem sinais vitais. Dois dias depois, a mãe passou por mais exames e foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela permaneceu em coma induzido por 12 dias antes de perder a luta pela vida.

A tragédia colocou em evidência um padrão preocupante na região. Dados do banco de dados nacional de saúde, DataSUS, revelam que somente em 2025, houve 17 casos de mortes evitáveis de recém-nascidos e fetos em hospitais de Tangará da Serra. As estatísticas mostram uma tendência consistente nos últimos anos, com a maioria dessas tragédias evitáveis ocorrendo dentro da rede de saúde privada.

Após a indignação pública com a história de Crenival, outras mulheres se manifestaram com experiências semelhantes, embora menos fatais, na mesma UPA. Uma mãe, que deu à luz em 15 de abril, relatou ter sido mandada para casa repetidamente com medicamentos para dor, apesar de estar com 39 semanas de gravidez e contrações. Ela acabou buscando atendimento em outra cidade, onde foi constatado que já estava dilatada e deu à luz seu bebê com segurança.

Outro relato de junho de 2023 detalha uma gestante de 40 semanas com contrações regulares que foi diagnosticada sem dilatação e orientada a retornar mais tarde para indução. Desconfiada, sua família a levou para um hospital diferente, onde sua bolsa rompeu, revelando líquido contaminado. Os médicos depois lhe disseram que um atraso de apenas 40 minutos poderia ter resultado em um natimorto ou uma infecção com risco de vida para mãe e filho.

Esses testemunhos coletivos pintam um quadro sombrio de problemas sistêmicos no atendimento materno e neonatal na unidade. Enquanto as autoridades investigam o caso específico de Andra e Pedro Miguel, o apelo do pai ecoa os medos de muitos: "Não poderei trazer minha esposa e filho de volta, mas espero que isso não aconteça com outros pais". A investigação continua enquanto a comunidade exige respostas e responsabilização.

Com base em reportagens do g1.