Didier Deschamps divulgou sua última convocação como técnico da França, e é uma lista que provavelmente evitará os acalorados debates que frequentemente acompanharam suas seleções. O elenco de 26 jogadores para a próxima Copa do Mundo nos Estados Unidos apresenta uma única cara nova: o goleiro do Lens, Robin Risser. Não há inclusões bombásticas, omissões que chamem a atenção ou apostas de última hora.
O anúncio, feito durante o telejornal noturno da TF1 na quinta-feira, tinha um ar de inevitabilidade. A maioria dos nomes já havia sido antecipada na convocação de março ou por meio de vazamentos recentes. Até a convocação de Risser não foi totalmente inesperada; seu nome havia surgido em discussões já em fevereiro antes de desaparecer brevemente e depois reaparecer. Essa falta de surpresa reflete a natureza estabelecida de um grupo que Deschamps moldou ao longo de seu longo mandato.
Desde que assumiu em 2012, Deschamps frequentemente usou os anúncios de convocação para enviar mensagens ou surpreender. O retorno de Karim Benzema antes da Euro 2021 e a inclusão de N’Golo Kanté para a Euro 2024 foram decisões ousadas e geradoras de debate. Desta vez, no entanto, o treinador optou pela continuidade. A lista para a Copa do Mundo é a maior de sua história, com 26 jogadores viajando para os EUA, mas contém apenas um jogador sem chances: Risser, um jovem de 21 anos que ainda não fez uma aparição sênior pelos Les Bleus.
A posição de goleiro tem sido uma área rara de mudança. Com a aposentadoria de Hugo Lloris do futebol internacional, Mike Maignan se estabeleceu como o claro número um. Atrás dele, Alphonse Areola e Brice Samba têm sido reservas regulares. A inclusão de Risser como quarto goleiro sinaliza um aceno para o futuro, mas também ressalta o quão fina é a competição além do trio estabelecido. Por enquanto, Risser provavelmente servirá como uma presença de treino, em vez de uma opção real para minutos.
A seleção de linha é quase idêntica à reunião de março. A ausência de Eduardo Camavinga se destaca, mas talvez não tanto quanto antes. O meio-campista do Real Madrid teve uma difícil temporada de clube, lutando por minutos consistentes mesmo quando o companheiro Manu Koné estava indisponível. O talento de Camavinga é indiscutível, mas sua forma não exigia seleção. Da mesma forma, Lucas Chevalier e Randal Kolo Muani foram prejudicados por campanhas desafiadoras. Chevalier, goleiro do Lille, viu suas ações caírem, enquanto a transferência de Kolo Muani para o Paris Saint-Germain ainda não rendeu os retornos esperados.
No passado, Deschamps mostrou lealdade a jogadores que entregaram por ele em grandes torneios, às vezes ignorando a forma no clube. Desta vez, no entanto, parece haver uma borda mais meritocrática. Jogadores como Camavinga, que foi o jogador de linha com menos minutos em março apesar da ausência de Koné, claramente não atingiram o limite. A disposição do técnico em deixar de fora tanto talento sugere que ele prioriza prontidão e confiabilidade sobre potencial.
A reação na França tem sido notavelmente moderada. Sem uma injustiça gritante ou uma superestrela esquecida, comentaristas e torcedores encontraram pouco a contestar. Alguns podem apontar para a crueldade da seleção, mas histórias de azar abundam em todo anúncio de convocação. A diferença chave é que as omissões parecem explicáveis em vez de arbitrárias. Esta não é uma lista que dominará programas de debate ou mídias sociais durante a primavera e o verão.
De uma perspectiva tática, o elenco oferece a Deschamps opções familiares em todos os departamentos. O meio-campo mantém sua mistura de aço e criatividade, o ataque possui explosividade de classe mundial e a defesa fornece uma mistura de juventude e compostura. O equilíbrio sugere que Deschamps permanecerá com os sistemas que trouxeram sucesso à França, seja um 4-3-3 ou um flexível 4-2-3-1.
A Copa do Mundo nos Estados Unidos representa o canto do cisne para Deschamps, que já confirmou que deixará o cargo após o torneio. Seu legado — que inclui um título mundial em 2018 e uma vitória na Liga das Nações — está seguro. Esta convocação final parece um reflexo de sua filosofia de gestão: construída em confiança, pragmatismo e relutância em perturbar a química da equipe. Não há experimentos, nem ramos de oliveira a veteranos insatisfeitos, nem escolhas audaciosas.
Para os jogadores, a falta de controvérsia significa que podem se preparar sem o circo midiático habitual em torno dos anúncios de convocação. O foco pode mudar inteiramente para a preparação tática e os adversários da fase de grupos. Com um núcleo de vencedores experientes, a equipe buscará enviar Deschamps com uma despedida de alto nível. A natureza tranquila desta lista pode, em última análise, ser sua maior força.
Baseado em reportagem do L'Equipe.