A jornada de 14 anos do West Ham United na Premier League chegou a um fim de partir o coração no domingo, apesar de uma vitória dominante por 3-0 sobre o Leeds United. Os Hammers entraram no último dia precisando de uma vitória e uma derrota do Tottenham no Everton para completar uma fuga milagrosa – mas enquanto eles cumpriram sua parte no London Stadium, o triunfo do Spurs por 1-0 selou seu destino, enviando o clube do leste de Londres para o Championship pela primeira vez desde a temporada 2011/12.
A partida em si encapsulou as margens finas e cruéis que definem as batalhas de rebaixamento. O Leeds, sem nada a jogar, começou brilhantemente e poderia ter assumido uma vantagem surpreendente. Lukas Nmecha e Dominic Calvert-Lewin desperdiçaram oportunidades gloriosas no primeiro tempo, deixando a torcida local cada vez mais ansiosa. Matheus Fernandes, um raro ponto positivo em uma campanha turbulenta, testou Karl Darlow com um chute forte, mas o primeiro tempo terminou sem gols – e o clima dentro do estádio escureceu quando chegou a notícia de que Joao Palhinha havia colocado o Spurs na frente de cabeça. Vaias ecoaram pelo campo enquanto os jogadores saíam, a sensação de desgraça iminente era palpável.
No entanto, o time de Nuno Espirito Santo se recusou a se render. Dez minutos após o intervalo, Jarrod Bowen cobrou um escanteio e Taty Castellanos saltou mais alto para cabecear com força passando por Darlow, acendendo uma centelha de esperança. Bowen então encerrou seu próprio jejum de 13 jogos sem marcar com um chute clínico de ângulo fechado, e o substituto Callum Wilson adicionou um terceiro no tempo de acréscimo para dar um brilho ao placar. Mas o dano já havia sido feito a 200 milhas ao norte de Londres, e o apito final trouxe apenas lágrimas e desafio da torcida dos Hammers, que também dirigiram cantos ao coproprietário David Sullivan durante o segundo tempo.
A torcida visitante não estava com disposição para simpatia, com os torcedores do Leeds provocando seus anfitriões com cantos de "Lincoln away, ole ole", um lembrete das viagens pouco glamorosas que aguardam o West Ham na segunda divisão. Foi um fim amargo para uma temporada que prometia tão pouco desde o início. Um começo desastroso sob Graham Potter viu o clube estacionado na lanterna no outono, e embora a nomeação de Nuno tenha provocado uma sequência respeitável de forma (eles acumularam 39 pontos, confortavelmente acima da média de nove temporadas de 32,4 para sobrevivência), o dano inicial se mostrou irreversível.
Haverá investigações sobre como um elenco com talento internacional pôde cair da primeira divisão com 39 pontos, mas a cruel realidade da Premier League é que ela recompensa o desempenho ao longo de 38 jogos completos, não apenas uma recuperação animada. A raiva dos torcedores em relação a Sullivan refletiu preocupações estruturais mais profundas que perduram há anos, e o clube agora enfrenta um verão de agitação significativa. Matheus Fernandes, por exemplo, parece certo de atrair pretendentes da primeira divisão, e o reset financeiro do Championship forçará decisões difíceis.
O foco imediato se volta para um verão repleto de grandes eventos. A Copa do Mundo começa em 11 de junho, com a Escócia jogando contra o Haiti em 14 de junho e a Inglaterra enfrentando a Croácia em 17 de junho – uma distração que pode atrasar a clareza no mercado de transferências, que abre em 15 de junho. O calendário do Championship será divulgado em 25 de junho, dando ao West Ham um primeiro vislumbre de sua nova paisagem, antes do fim de semana de abertura de 14 a 25 de agosto. O prazo final de transferências em 1º de setembro, quando a janela fecha às 23h (horário do Reino Unido), provavelmente será um final caótico para um projeto de reconstrução que deve ser rápido e inteligente.
Para a torcida do London Stadium, a dor do rebaixamento será agravada pela visão do futebol da Premier League continuando sem eles – talvez com Nottingham Forest ou Southampton preenchendo um vazio que eles haviam feito seu desde 2012. O caminho de volta nunca é direto; o ex-técnico Sam Allardyce guiou o West Ham ao acesso imediato uma década antes, mas o Championship se tornou mais competitivo no ínterim. Nuno enfrenta a tarefa de remodelar um elenco mentalmente marcado por essa queda, com a iminente Copa do Mundo tornando o recrutamento chave uma corrida contra o tempo.
Enquanto os jogadores deixavam o campo para um estádio meio vazio, o contraste entre a alegria da vitória e a agonia do rebaixamento era gritante. O West Ham deu tudo no dia, mas a realidade é que eles deixaram muito a fazer ao longo de uma temporada que foi perdida em seus meses iniciais. O diário de verão é agora o documento mais importante: uma reviravolta rápida começa, mas se leva a um retorno bem-sucedido ou a uma ausência prolongada da elite dependerá das decisões tomadas antes de 1º de setembro.
Com base em reportagens da Sky Sports.