Os playoffs da Football League são agora uma pedra angular da temporada inglesa, repletos de tensão e altas apostas. Mas há quarenta anos, o conceito era completamente novo e enfrentava ceticismo. Um de seus primeiros capítulos produziu um pedaço da história que nunca foi repetido: uma final de playoffs que exigiu uma repetição para decidir o vencedor.
O drama se desenrolou na temporada 1986-87. O Charlton Athletic, que terminou em quarto lugar do fundo na Primeira Divisão, foi lançado nos playoffs inaugurais para lutar por sua sobrevivência. Primeiro superaram o Ipswich Town em uma semifinal de dois jogos, vencendo por 2-1 no agregado. Isso preparou um confronto final contra o Leeds United, uma disputa que testaria a capacidade de emoção do novo formato.
A final em si foi um assunto tenso e equilibrado. Cada equipe venceu seu jogo em casa por 1 a 0, deixando o placar agregado empatado em 1 a 1. Sem um vencedor claro, as regras da época determinavam uma repetição. A decisão foi realizada em um local neutro, o St Andrew's do Birmingham City, criando um único 'playoff para decidir os playoffs'.
A repetição foi uma montanha-russa. Após 90 minutos sem gols, a partida foi para a prorrogação. John Sheridan, do Leeds, parecia ter vencido, mas Peter Shirtliff, do Charlton, emergiu como o herói improvável. Ele marcou duas vezes em um frenético período de quatro minutos, virando o jogo e garantindo o lugar do Charlton na Primeira Divisão por mais uma temporada.
Esta partida continua sendo a única final de playoffs na história da Football League a ir para uma repetição. O conceito logo foi abandonado, tornando este um evento único e isolado nos anais do futebol inglês. A vitória foi uma conquista monumental para o Charlton, mas as comemorações estavam muito longe das extravagâncias modernas.
Como Shirtliff lembrou, a viagem de volta para casa da equipe foi um assunto humilde. O time vitorioso, exausto e faminto, parou em uma estação de serviço da rodovia M6 para pegar fast food. O defensor contrastou humoristicamente aquele momento com o provável tratamento cinco estrelas que uma equipe similar receberia hoje, destacando o quanto o jogo mudou.
A história daquela final de 1987 é um vislumbre fascinante dos dias iniciais dos playoffs. Mostra uma competição que, apesar da indiferença inicial da mídia e até mesmo pedidos de sua abolição por alguns treinadores, rapidamente capturou a imaginação do público com seu drama inerente. O formato provou seu valor, proporcionando momentos inesquecíveis como o triunfo impulsionado por batatas fritas do Charlton.
Com base em reportagens do Football | The Guardian.