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Benfica Invicto: Por Que Não Champions League?

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O Benfica completou uma campanha invicta na Primeira Liga sob o comando de José Mourinho, mas ainda assim perdeu a vaga na Champions League, terminando fora

Em uma das campanhas mais paradoxais da história recente do futebol português, o Benfica de José Mourinho completou toda a temporada da Primeira Liga sem uma única derrota — mas a euforia de um recorde invicto é temperada pela realidade esmagadora de perder a vaga na Champions League. É um feito que desafia a lógica convencional: uma campanha imaculada na liga que, de alguma forma, ficou aquém do prêmio final.

Sob o formato atual da Primeira Liga, apenas os dois primeiros colocados garantem vaga direta na fase de grupos da Champions League, enquanto o terceiro colocado entra nas rodadas eliminatórias. A temporada invicta de 34 jogos do Benfica rendeu um número impressionante de pontos, mas não o suficiente para entrar no topo dois. O culpado não foram as derrotas, mas os empates — um excesso de empates que transformou um recorde impecável em um resultado falho.

Os números pintam um quadro sombrio. Enquanto os rivais Porto e Sporting Lisboa convertiam consistentemente jogos apertados em vitórias, o Benfica acumulou onze empates ao longo da temporada. Vários deles foram contra equipes de meio de tabela ou ameaçadas de rebaixamento — partidas em que os homens de Mourinho dominaram a posse de bola, mas faltou o poder de fogo para marcar gols decisivos. Em uma liga onde cada ponto importa, esses pontos perdidos se tornaram fatais.

Uma análise mais detalhada da tabela revela pontos de virada. Os empates consecutivos por 0 a 0 contra Boavista e Famalicão no início da primavera exemplificaram os problemas ofensivos. Mesmo quando o Benfica balançava as redes, falhas defensivas custaram vitórias, como em um emocionante 2 a 2 no Estoril. Esses resultados não foram catástrofes isoladamente, mas coletivamente permitiram que Porto e Sporting construíssem uma vantagem intransponível no topo.

A configuração tática de Mourinho recebeu tanto elogios quanto críticas. A solidez defensiva que uma vez lhe trouxe glória europeia era evidente — o Benfica ostentou a melhor defesa da liga, sofrendo apenas 18 gols em toda a temporada. Mas o pragmatismo que tornou seus times tão temidos em competições eliminatórias pareceu sair pela culatra em uma maratona doméstica onde o futebol conservador contra adversários mais fracos levou a uma enxurrada de empates. Críticos acusaram Mourinho de não liberar todo o potencial ofensivo de seu elenco.

Esse resultado coloca o Benfica em um clube histórico pouco invejável. O precedente mais famoso é a temporada 1978-79 da Série A do Perugia, quando ficaram invictos, mas terminaram em segundo lugar atrás do AC Milan devido a 19 empates em 30 jogos. Como o Perugia, o Benfica aprendeu que uma campanha invicta é uma honra vazia se não render títulos ou vaga na Champions League. A raridade estatística apenas amplifica a dor de perder a competição de elite da Europa.

As implicações financeiras são significativas. A participação na Champions League garante dezenas de milhões de euros em receita, desde direitos de transmissão a receitas de jogos e prêmios em dinheiro. Para um clube da estatura do Benfica, acostumado a aparições regulares na fase de grupos, a perda forçará uma recalibração do orçamento de transferências de verão. Também pode enfraquecer sua posição para manter jogadores-chave que estão atraindo interesse de clubes mais ricos.

Para Mourinho, esta temporada marca um retorno agridoce ao futebol doméstico. Voltando ao futebol português após décadas no exterior, o autodenominado "Special One" esperava restaurar o Benfica ao topo. Uma temporada invicta na liga é uma conquista rara — apenas a quarta na história da Primeira Liga — mas sem o futebol da Champions League, será lembrada como uma oportunidade perdida. Já surgem perguntas sobre se o técnico português ficará para terminar o trabalho ou buscará um desafio em outro lugar.

Dentro do Estádio da Luz, o ânimo entre os torcedores é de orgulho conflitante. Os cânticos de "invictos" ecoam pelas arquibancadas, mas o armário de troféus vazio para o título da liga corrói o espírito coletivo. O presidente do clube, Rui Costa, emitiu uma declaração reconhecendo o paradoxo, prometendo "transformar essa dor em ambição" enquanto defendia o trabalho de Mourinho. Os próximos meses testarão a determinação do clube em construir sobre essa base.

Olhando para frente, o Benfica agora enfrenta a perspectiva de entrar nas rodadas eliminatórias da Champions League, onde um caminho complicado os espera. O fracasso em superar esses confrontos os relegaria à Europa League, uma competição que Mourinho venceu com o Manchester United em 2017. Mas em Lisboa, isso pareceria um prêmio de consolação. A temporada invicta será uma nota de rodapé estatística a menos que o clube consiga se reagrupar rapidamente e recuperar seu lugar entre a elite europeia. Com base em reportagens da ESPN.