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Temporada Invicta de Mourinho: Benfica 3º, Real em Seguida?

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O Benfica de José Mourinho ficou invicto na Primeira Liga, mas terminou em terceiro, 8 pontos atrás do Porto. Ele agora está em negociações para retornar ao

O Benfica gravou seu nome em um fragmento indesejado da história do futebol, completando uma temporada impecável na Primeira Liga sem uma única derrota, mas terminando apenas em terceiro na tabela. A impressionante paradoxo foi selado no último dia, com uma vitória em casa por 3-1 sobre o Estoril encerrando sua campanha com 23 vitórias e 11 empates, uma sequência invicta que normalmente garantiria um troféu em qualquer uma das principais ligas europeias. Em vez disso, as Águias se encontram na bizarra posição de celebrar um recorde invicto enquanto lamentam o que poderia ter sido.

Em qualquer outra temporada, acumular 80 pontos de 102 possíveis poderia ter sido suficiente para liderar a classificação, mas o ritmo implacável definido pelo campeão Porto e pelo segundo colocado Sporting deixou o Benfica oito pontos atrás do topo. A mentalidade vencedora superior do Porto, convertendo empates apertados em vitórias, foi a diferença decisiva. O Sporting, por sua vez, garantiu o vice-campeonato com uma vantagem de dois pontos, deixando os homens de Mourinho enfrentando a mais dura das realidades matemáticas.

O placar de 3-1 contra o Estoril escondeu um padrão de toda a temporada: um time admiravelmente resiliente, mas sem o poder de fogo para transformar empates em vitórias com mais frequência. Onze empates, muitos contra times que se esperava vencerem com facilidade, custaram caro. No mundo implacável das disputas de título, empates são quase tão prejudiciais quanto derrotas quando seus rivais consistentemente conquistam pontos máximos.

José Mourinho, nomeado em setembro passado com um contrato de dois anos, mais uma vez demonstrou sua capacidade de construir uma unidade defensivamente sólida, mas a campanha também reavivou debates sobre sua abordagem tática conservadora. A segunda passagem do técnico de 63 anos no futebol português sempre foi vista como um trampolim, e agora os sussurros se tornaram um rugido: o Real Madrid está em negociações finais para trazê-lo de volta ao Bernabéu, 13 anos depois de deixar a capital espanhola.

O momento é comovente. A primeira passagem de Mourinho no Real Madrid, de 2010 a 2013, rendeu um título de La Liga, uma Copa do Rei e três semifinais consecutivas da Champions League, mas terminou em acrimônia. Desta vez, o presidente do clube, Florentino Pérez, está desesperado por uma figura com mão de ferro para reestruturar um elenco que se mostrou mentalmente frágil e desarticulado. Fontes próximas às negociações indicam que um acordo pode ser anunciado em questão de dias, com apenas pequenos detalhes contratuais a resolver.

O ex-zagueiro do Real Madrid Álvaro Arbeloa, que jogou sob o comando de Mourinho naquela passagem anterior, recebeu publicamente o possível retorno, dizendo a repórteres que o vestiário precisa do tipo de autoridade e clareza que Mourinho traz. Esse apoio tem peso dentro do clube, onde a memória dos padrões exigentes de Mourinho permanece vívida.

Se Mourinho sair, deixará para trás uma anomalia histórica. Não é a primeira vez que o Benfica completa uma temporada de liga sem perder e termina de mãos vazias. Em 1977-78, foram superados pelo Porto no título por diferença de gols, depois que ambos os times ficaram invictos. Essa campanha continua sendo o paralelo mais próximo, mas o elenco atual também se junta a um clube seleto e miserável: apenas outros dois times europeus neste século, o FC Sheriff da Moldávia na temporada 2024-25 e o Estrela Vermelha de Belgrado em 2007-08, completaram uma campanha de primeira divisão invictos e não levantaram o troféu.

Para o Benfica, o quase acerto levanta questões existenciais. O peso psicológico da 'maldição de Bela Guttmann' do clube está se transformando em um medo de vencer? Ou é simplesmente um caso atípico estatístico em uma liga onde o poderio financeiro e a profundidade do elenco do Porto criaram uma nova normalidade de domínio? Os 80 pontos teriam vencido o título em oito das dez temporadas anteriores, uma ilustração contundente de como a barra foi elevada por seus rivais do norte.

De uma perspectiva mais ampla, o trabalho de Mourinho nesta temporada reforça sua reputação como mestre em evitar derrotas, mas ao mesmo tempo sublinha a implacabilidade do futebol moderno. Em uma era onde três pontos por vitória recompensam o futebol ofensivo, o pragmatismo sem eficiência na área penal pode levar a raridades históricas como esta. No entanto, o Real Madrid não está contratando um filósofo; eles estão em busca de um vencedor, e a sequência invicta de Mourinho, mesmo sem troféu, serve como testemunho de seu gênio organizacional.

O técnico português provavelmente argumentará que a temporada invicta, por mais vazia que seja, é uma plataforma para coisas maiores. Para o Benfica, o desafio será manter a solidez defensiva enquanto adicionam a centelha ofensiva que falta, uma tarefa que se torna mais difícil se Mourinho levar sua metodologia para a capital espanhola. Enquanto isso, os torcedores do Estádio da Luz ficam a ponderar sobre uma temporada que será lembrada não pelo que foi conquistado, mas pelo que escapou apesar de um recorde impecável.

Baseado em relatos da BBC Sport.