Xxgwise
PremiumEntrar
Notícias

Por que a votação da reforma do futebol francês está

A-LeagueParaguaiLesothoPartizan de BelgradoPartizaniParis FCEstorilParmaParndorfBordeauxSóciosCapitalFrançaPoliceAnderlechtCanadá

Lecornu prometeu que a reforma do esporte profissional francês será examinada pela Assembleia Nacional antes de 30 de junho, um movimento impulsionado pela

Sébastien Lecornu, Ministro das Forças Armadas da França, entrou na arena política esportiva com um firme compromisso de levar o projeto de reforma do esporte profissional aguardado há muito tempo a votação antes do final da atual sessão parlamentar. Falando na Assembleia Nacional na terça-feira, Lecornu prometeu que a legislação proposta—focada na governança, gestão e financiamento do esporte profissional, com atenção especial ao futebol francês—seria examinada pelos deputados até 30 de junho, no máximo. A promessa veio em resposta direta a uma pergunta pontual de Laurent Marcangeli, presidente do grupo Horizons, que invocou a memória da falecida deputada Béatrice Bellamy para enfatizar a urgência de agir sobre a medida.

O projeto, formalmente conhecido como proposition de loi (PPL) relativa à organização, gestão e financiamento do esporte profissional, originou-se no Senado há mais de um ano. Ele visa reformar o quadro regulatório que rege as ligas esportivas profissionais na França, com atenção especial à transparência financeira e às estruturas de governança dos clubes de futebol. A legislação ficou parada por semanas—críticos dizem meses—aguardando um lugar na agenda da Assembleia Nacional, um atraso que frustrou os defensores da reforma que alertam sobre riscos contínuos de má gestão.

O catalisador para o intercâmbio de terça-feira foi o recente falecimento de Béatrice Bellamy, deputada de Vendée que presidiu a comissão parlamentar de inquérito sobre falhas nas federações esportivas francesas. Bellamy, que morreu no domingo, era uma defensora ferrenha de uma supervisão mais rígida após uma série de escândalos que abalaram o futebol francês e outros esportes. Marcangeli, falando em nome de seus colegas, declarou: "Devemos a ela mais do que palavras—devemos a ela ações", antes de exigir que o governo fixasse uma data para o exame da reforma.

A resposta de Lecornu foi inequívoca. Atuando como porta-voz do governo para o gabinete do primeiro-ministro durante a sessão de perguntas e respostas, ele confirmou que a PPL seria colocada no calendário parlamentar antes de 30 de junho—a data de encerramento da sessão atual. Alguns parlamentares haviam mencionado 22 de junho como uma data possível, mas Lecornu não confirmou oficialmente esse prazo. Ainda assim, o compromisso representa um passo significativo para um projeto que parecia estar preso em um limbo legislativo.

Para o futebol francês, as apostas são altas. Os órgãos dirigentes do esporte e os clubes têm estado sob intenso escrutínio após revelações de irregularidades financeiras, negociações de transferências opacas e disputas de governança. O caso mais proeminente envolveu a liderança da Federação Francesa de Futebol (FFF) e seu ex-presidente Noël Le Graët, cuja renúncia no início de 2023 veio após uma auditoria revelar uma cultura de gestão tóxica. A comissão de inquérito, que Bellamy presidiu, expôs falhas sistêmicas que a nova PPL busca abordar por meio de padrões de auditoria obrigatórios, conselhos de supervisão independentes e limites à remuneração executiva nas federações.

Além da governança, o projeto propõe medidas para conter os excessos financeiros dos clubes profissionais. A liga doméstica da França, a Ligue 1, viu vários clubes enfrentarem graves dificuldades financeiras, com alguns, como o Bordeaux, declarando falência e descendo de divisão. A PPL capacitaria a polícia financeira, a DNCG (Direção Nacional de Controle de Gestão), com ferramentas de execução mais robustas e exigiria relatórios mais transparentes dos proprietários dos clubes. Para uma liga que tenta manter jogadores estrela e competir internacionalmente, restaurar a credibilidade financeira é essencial.

O momento do compromisso de Lecornu também reflete manobras governamentais mais amplas. Com as eleições europeias se aproximando e a coalizão do presidente Emmanuel Macron enfrentando pressão tanto da esquerda quanto da direita, avançar com uma legislação de reforma popular pode servir como uma ponte política. A reforma esportiva, particularmente no amado campo do futebol, ressoa com os eleitores. Ao honrar o legado de Bellamy e impulsionar o projeto, o governo visa demonstrar capacidade de resposta—uma qualidade que os críticos dizem que tem faltado em meio ao impasse parlamentar mais amplo.

No entanto, nem todos estão convencidos de que uma votação apressada resolverá problemas profundos. Alguns membros da oposição argumentam que a PPL, embora seja um passo à frente, não vai longe o suficiente para conter a influência dos agentes ou regular o investimento de fundos ligados a estados estrangeiros. Outros temem que o cronograma abreviado possa levar a emendas apressadas que prejudiquem a intenção original do projeto. A versão do Senado já contém compromissos, e o exame da Assembleia Nacional pode abrir a porta para mais mudanças—para melhor ou para pior.

Executivos de ligas e presidentes de clubes estão observando de perto. Um quadro de governança reformado pode significar custos de conformidade mais rigorosos, mas também proporcionar um ecossistema mais saudável. O debate pode opor clubes tradicionais que favorecem a autorregulação contra reformistas que exigem intervenção estatal para salvaguardar a integridade do esporte.

À medida que o prazo de 30 de junho se aproxima, o caminho a seguir ainda está cheio de obstáculos processuais. O projeto ainda precisa ser agendado, debatido e potencialmente alterado antes de uma votação final. Qualquer desacordo entre as duas câmaras pode enviá-lo de volta à estaca zero. No entanto, o peso emocional da morte de Bellamy e o capital político agora investido pelo governo sugerem que desta vez, a reforma do esporte profissional pode finalmente cruzar a linha de chegada. O futebol francês, e a nação, estarão observando.

Baseado em reportagens da L'Equipe.